Lufthansa em Tancos: a coesão territorial faz-se com decisões

João Teixeira Leite

Presidente da Câmara Municipal de Santarém

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Se queremos que Portugal seja mais equilibrado territorialmente, temos de distribuir melhor o investimento, o conhecimento e o emprego qualificado. A coesão mede-se nas decisões que tomamos e nas oportunidades que criamos.

É por isso que o anúncio de uma escola de pilotos da Lufthansa em Tancos, associado à possibilidade de utilização civil da pista, merece ser valorizado. Abre uma perspetiva de desenvolvimento que ultrapassa o Médio Tejo. É uma oportunidade para toda a região e um sinal importante para o país.

Durante demasiado tempo, o debate territorial ficou preso à ideia de compensar os territórios pelas suas fragilidades. Precisamos de uma política que reconheça também as suas capacidades. Que identifique onde existe espaço para crescer, talento para formar e recursos para valorizar. E que coloque investimento e poder de decisão ao serviço desse potencial.

Não basta pedir aos jovens que fiquem. É preciso criar condições para que possam escolher ficar. Não basta apelar à instalação de empresas. É preciso garantir infraestruturas, acessibilidades e formação. Não basta proclamar que todo o território conta. É preciso que conte quando se decide onde localizar o próximo grande investimento.

Tancos representa uma oportunidade para dar expressão concreta a esse compromisso. A formação aeronáutica e a abertura à utilização civil podem criar novas relações entre empresas, instituições de ensino e trabalhadores. O Governo merece reconhecimento por abrir este caminho. Agora, a ambição anunciada deve traduzir-se em execução, com objetivos claros e articulação com o território.

Como presidente da Câmara Municipal de Santarém e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, considero essencial afirmar que a coesão territorial exige maturidade e vontade política para ultrapassar fronteiras administrativas e trabalhar à escala das oportunidades.

O Médio Tejo e a Lezíria do Tejo devem preparar-se em conjunto. Aproximar instituições de ensino e empresas, planear respostas de mobilidade e habitação e criar condições para que o investimento produza benefícios duradouros. A localização de um projeto é o seu ponto de partida, a dimensão do seu impacto depende também da nossa capacidade de cooperação.

Em Santarém, projetos com ambição internacional, como o Viva Mundo – World of Football, reforçam a importância de acompanhar esta evolução e estudar complementaridades. E não vamos ficar por aqui, falarei em breve de outra ambição maior.

Um país que concentra as oportunidades limita as escolhas dos seus cidadãos. Obriga demasiadas pessoas a escolher entre a proximidade à família e uma carreira, entre o lugar onde querem viver e o lugar onde conseguem trabalhar. Mudar essa realidade tem de ser um objetivo central da política pública.

Portugal precisa das suas cidades médias e dos territórios que as rodeiam para crescer. Precisa de lhes confiar projetos relevantes, de lhes dar instrumentos e de reconhecer o seu contributo para a competitividade nacional.

Tancos pode ser um passo importante nesse caminho. Porque a coesão territorial se concretiza quando cada português pode escolher onde viver sem ter de abdicar das suas ambições e motivações de vida.

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