O seu nome oficial é Praça da Constituição, mas todos a conhecem como Zócalo. Ali ficam a Catedral da Cidade do México e o Palácio Nacional, residência oficial dos presidentes. Uma praça monumental que, em época de Mundial de Futebol, está rodeada de taipais, cercada por polícias e acolhe não um, mas vários ecrãs gigantes onde os adeptos podem seguir os jogos do campeonato de que o México é, com EUA e Canadá, um dos organizadores.Foi assim que o vi, numas recentes férias em família, esse Zócalo de que tanto ouvira falar. A Catedral, apesar de estar semiescondida podia ser visitada, mas o Palácio Nacional estava encerrado aos visitantes, pelo menos naquele dia. E se não podes lutar contra os ecrãs, junta-te a eles, por isso lá fomos, três portugueses incógnitos entre muitos mexicanos envergando a camisola 7 de Ronaldo, ver Portugal ganhar ao Uzbequistão e gritar “Siuuu” nos golos de CR7 depois de nos termos denunciado ao cantar o hino a plenos pulmões.Mas se o esplendor do Zócalo não pôde ser contemplado desta vez, isso não diminuiu em nada o encanto da Cidade do México. Uma capital enorme (não se deixem enganar pelo Google Maps, parece perto, mas são 40 minutos de carro!) e diversa (do caos de vendedores ambulantes no centro depressa se passa para bairros de vivendas pacatas). E depois há os museus. O Museu Nacional de Antropologia, claro, onde os nossos sentidos são desafiados por uma avalanche de artefactos pré-hispânicos, mas também o Museu de Arte Moderna, onde além de contemplar As Duas Fridas, o autorretrato duplo pintado pela artista mexicana, me apaixonei pela obra da surrealista Remedios Varo. E descobri, noutra exposição temporária, a impressionante coleção de Natasha Zahalka y Jacques Gelman, especialmente o belíssimo retrato da loira Natasha pintado por Diego Rivera..Podia ainda falar da beleza do Museu Soumaya, homenagem do milionário Carlos Slim à sua mulher, Soumaya Domit, capaz de impressionar tanto pela coleção como pela arquitetura, mas não posso não voltar a Frida e Diego. Seja para recordar a visita à Casa Azul, o museu onde a pintora nasceu e viveu depois com o marido, ou o Palácio de Belas Artes, onde os murais de Diego Rivera rivalizam pela atenção do visitante com os de outros muralistas mexicanos, de David Alfaro Siqueiros a José Clemente Orozco.Mas a visita à Cidade do México não dispensa uma curta viagem de autocarro até Teotihuacan, a Cidade dos Deuses, e às suas monumentais pirâmides do Sol e da Lua. .A escassez de espaço desta crónica obriga a deixar muito de fora, mas nota ainda para a comida maravilhosa e a simpatia dos mexicanos, sempre interessadas em saber de onde eram estes turistas apesar do nosso melhor portunhol. Em suma, a Cidade do México vale nova visita – e desta ver o Zócalo sem ecrãs gigantes.