É difícil imaginar que perante os caso políticos verificados com os ministros da Educação e da Administração Interna, Luís Montenegro resista a uma remodelação governamental.O que está em causa não é coisa pouca. Com o ministro da Educação, pese embora o seu prestígio académico, há uma manifesta situação de incompetência política. O ministro esteve desatento. Neste país não se pode confiar nos serviços nos temas rotineiros, quanto mais em situações novas. Com inovações é preciso testar, acompanhar, verificar, avaliar a evolução do novo objectivo, responsabilizar as chefias directas, em resumo, “meter as mão na massa”. Nada disto foi feito pelo ministro da Educação e o resultado está à vista. São pais em stress, alunos sem conhecerem o seu destino escolar naquele que é um dos momentos-chave da sua carreira académica. Ou seja, o acesso ao Ensino Superior. Portugal é um país onde qualquer ministro que se preze sabe que não pode facilitar na verificação política e funcional dos seus objectivos. Foi, justamente, isso que Fernando Alexandre não fez. O resultado está à vista. Com que legitimidade pode, pois, este ministro continuar no Governo e ter a confiança do primeiro-ministro?Depois, temos o caso de Luís Neves, ministro da Administração Interna. Caros leitores, eu tinha e tenho uma admiração profunda pela Polícia Judiciária. Considero-a a melhor e mais profissional polícia portuguesa. Enquanto cidadão admiro o trabalho dos seus inspectores na resolução dos crimes mais complicados. E, seguramente, Luís Neves terá dado um contributo para o perfil profissional da PJ enquanto foi director da mesma.Como é, pois, possível que o actual responsável máximo das polícias, alguém que deve dar o exemplo, que terá de ser um farol de transparência e dignidade tenha esqueletos no armário? Qualquer cidadão sabe que a construção de uma casa, ou as obras realizadas na mesma têm de ser autorizadas pela respectiva câmara municipal. Que a construção de uma piscina tem de ser participada ao Fisco para alteração do IMI. Aliás, hoje, essa verificação é feita por drone.E que história mal explicada é aquela que o atrelado, com produtos que podem entrar na composição de uma qualquer droga, possa ter saído da Polícia Judiciária e ser entregue a um empreiteiro de obras? Porquê? E para quê? Qual a finalidade? Será que o ex-director da PJ consegue explicar ao país as razões desta atitude? Aguardemos o inquérito da PGR, como é da sua competência.Neste país, ou em qualquer outro onde vigorem os princípios democráticos, quem assume uma pasta ministerial tem de passar uma revista rigorosa aos actos que praticou até ao momento da sua posse. Não pode, nem deve, ter esqueletos no armário. E se eles existirem não pode assumir o cargo. É certo e sabido que se o não fizer, mais tarde, o que foi feito de errado virá à superfície. Seja através da delação de adversários políticos, seja por escrutínio da comunicação social, ou de qualquer outra forma.Temos, pois, um Governo com dois ministros fragilizados: um por incompetência, e o outro, no mínimo, alegadamente, por irregularidades cometidas.Como pode então o primeiro-ministro manter no Governo e dar a sua confiança política a dois ministros nestas condições? Bom a conclusão que se retira daqui é que o primeiro-ministro, ao não-agir não mostra sentido de Estado em relação a duas situações que fragilizam o Executivo.Manter os ministros é um erro político. Depois queixem-se de que o populismo cresce em Portugal. Como é que não há-de crescer com situações destas sem que o primeiro-ministro tome uma atitude e persista em manter a confiança em dois casos políticos como os protagonizados pelos ministros da Educação e da Administração Interna? Com esta incompetência e estes esqueletos no armário a remodelação governamental é, pois, um acto político do mais elementar bom senso. Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico