Junho e julho são sempre meses intensos para alunos e alunas do 12.º ano, para as suas famílias e para as escolas de todo o país. Este ano estão a ser meses caóticos. E não foi por falta de aviso.É difícil saber por onde começar nesta absoluta trapalhada que está a ser a época de exames do 11.º e do 12.º ano. Os exames que fecham o ciclo do ensino obrigatório e que são uma peça fundamental na entrada no Ensino Superior. Os exames para os quais os estudantes se preparam durante anos e para os quais têm de ter todas as condições. Mas este ano estamos longe disso, incluindo com calendário a ser mudado a meio da época de exames!O ministro da Educação decidiu avançar este ano com a classificação em formato digital de todas as provas de todas as disciplinas, com a exceção de Geometria Descritiva e de Desenho A. Isto depois do projeto-piloto de há um ano, com o exame de Filosofia não ter corrido bem, e em simultâneo com uma enorme reestruturação no Ministério da Educação, onde novas estruturas passaram a concentrar competências e onde algumas tarefas passaram a ser contratadas fora – incluindo a plataforma para digitalização e classificação dos exames (ainda não sabemos a que empresa, porque o Ministério não o revela).Ditaria a prudência que alterações desta magnitude, envolvendo mais de 300 mil provas, cada uma com várias folhas, milhares de exames, milhares de escolas, milhares de professores, fossem feitas com toda a segurança e – se necessário – de forma incremental ou parcelar. Mas não foi isso que aconteceu.Nos últimos dias de junho, começaram a surgir os primeiros relatos de problemas: a digitalização estava a demorar mais tempo do que o previsto, os professores convocados para classificar não conseguiam aceder ao sistema, alguns durante vários dias. Depois começam a surgir relatos mais alarmantes: professores que entram no sistema e estão com o perfil de outra pessoa, provas para corrigir incompletas e sem todas as páginas, exames atribuídos a um aluno mas que são de outro, folhas no mesmo exame, mas com caligrafias diferentes – mostrando que há mistura de provas. E ainda outros: professores que já tinham classificado certos itens viram o seu trabalho desaparecer do sistema de classificação.No entanto, a 1 de julho no Parlamento, o ministro da Educação insistia que grande parte dos problemas era falsa e garantia que o calendário não seria alterado… mas, dois dias depois, teve de se render às evidências – de que a classificação dos exames da 1ª fase não seria possível ser feita nos prazos previstos – e alterou o calendário da 2ª fase.É um escândalo o calendário de exames do 11.º e 12.º anos ser alterado. É um escândalo ser alterado pela irresponsabilidade do ministro da Educação. E é um escândalo a forma como esta alteração foi assumida pelo governo: sem um pedido de desculpa e sem uma reavaliação que minimize já os danos feitos. Em vez disso, a comunicação do novo calendário é feita através de um “TOME NOTA” publicada nas redes sociais e com o ministro a chamar “imprudentes” às famílias que confiaram no calendário de exames para agendar as suas férias. Sem uma palavra a professores e diretores das escolas que estão a correr contra o tempo, que terão de trabalhar agosto adentro e em condições nada favoráveis – dado que não há confiança no sistema de classificação digital.Eu não tenho dúvidas que é consensual - incluindo no Ministério da Educação – a ideia de que a época de exames deve decorrer com a maior tranquilidade possível. E que esse era o objetivo do ministro da Educação. Por isso a única explicação que encontro para este caos é que o ministro da Educação e a sua equipa sofrem do mesmo que carateriza o governo de Luís Montenegro: um desligamento da realidade, uma falta vontade para ouvir quem efetivamente está no terreno e é afetado pelas decisões tomadas centralmente e, sobretudo, uma grande arrogância e prepotência. Exatamente o contrário do que é preciso para bem governar.