Há impasses que são meramente circunstanciais, fruto de calendários políticos desencontrados ou de naturais divergências entre forças partidárias. E há outros que, pela sua duração e repetição, se transformam em sintomas de um bloqueio estrutural. O atual impasse na designação de pessoas para os órgãos externos inscreve-se nesta segunda categoria e revela um país com dificuldade em garantir o funcionamento das suas próprias instituições.Não estamos perante um atraso pontual, mas sim perante um processo que se prolonga há meses, sucessivamente adiado, corroendo a credibilidade do sistema. O que deveria ser um exercício normal de funcionamento institucional transformou-se num ciclo persistente de bloqueios.Este impasse não surgiu por acaso. Portugal não está bloqueado por falta de pessoas competentes para ocupar os cargos, mas sim pelo sistema político, que transforma escolhas que deviam servir o interesse público em instrumentos de influência partidária.O PSD, que deveria ter assumido a condução do processo com sentido de Estado e capacidade negocial, falhou. Revelou-se incapaz de construir entendimentos, perdeu o controlo político e tem-se limitado a empurrar decisões com a barriga.O PS, por seu lado, conseguiu fazer pior. Optou por uma estratégia de bloqueio consciente, procurando condicionar o funcionamento das instituições à sua conveniência. Isto não é uma oposição democrática, é uma tentativa de pressionar o sistema até que produza o resultado desejado, uma vez que não o obteve nas urnas e tarda em aceitar que a sua influência política diminuiu.Importa, contudo, fazer uma distinção: nem todos os partidos têm contribuído da mesma forma para o impasse. Há quem, legitimamente, procure afirmar os seus direitos em função da representação que detém, como o Chega tem feito. Ainda assim, não se pode deixar de assinalar a incoerência do partido que passou anos a denunciar o que chamava de “tachos” do sistema e que, à primeira oportunidade, se mostra irredutível em ocupá-los, desmascarando a propaganda que fez ao longo dos anos. A luta por “tachos” pelo partido Chega e no partido Chega constitui um completo trem de cozinha.O resultado deste impasse é o bloqueio do país. Órgãos que deveriam garantir fiscalização e equilíbrio permanecem incompletos ou paralisados. E quando as instituições falham, deteriora-se a confiança dos cidadãos.A Iniciativa Liberal tem defendido a escolha de nomes independentes, tecnicamente competentes e reconhecidos pelo seu mérito, não como compromisso de circunstância, mas como princípio. Instituições fortes exigem pessoas livres de dependências partidárias e do poder executivo.Desbloquear este impasse não é apenas uma questão de calendário, mas de maturidade democrática. Precisamos de instituições funcionais. Ou o sistema político se adapta ou contribuirá para a degradação democrática. A Iniciativa Liberal está preparada para assumir essa responsabilidade e contribuir para resolver o bloqueio.