Há um ranking europeu em que estamos à frente e por margem confortável. Não é o do consumo de bacalhau, do ranking do hóquei em patins, dos mais baixos ou mais gordos, das rolhas ou do vinho do Porto, da população católica ou dos fluxos migratórios, nada disso. Temos a maior percentagem de filhos únicos no conjunto dos 27 países da União Europeia, número tornado público pelo Eurostat. Mais de sessenta por cento das famílias com crianças são compostas em Portugal apenas por um filho ou filha única.É justo que tenha a expetativa de um dia poder ser homenageado pela Segurança Social pelo meu contributo para a sustentabilidade do sistema. Sendo pai de quatro filhos e dois enteados, começa a ser uma obra esdrúxula e uma enormíssima dificuldade responder à pergunta que eu próprio me faço: serei um otimista incorrigível ou um louco indomável? Não é uma resposta óbvia, da mesma forma que não é nada claro no que nos tornaremos, como país, nas próximas gerações.Teremos uma nova elite formada por filhos únicos que, na solidão do quarto, fundará novos alicerces, caminhos e oportunidades? Ou, pelo contrário, teremos líderes narcisistas, embirrentos e mimados que levarão a bola para casa por não lhes ser suportável jogar com outros meninos no recreio? Seremos mais exigentes e preparados ou irá acontecer-nos o que, tantas vezes, vemos suceder nos supermercados com crianças a gritarem e a darem pontapés aos pais por não tolerarem que estes não lhes façam todas as vontades?