O deputado Fabian Figueiredo teve a amabilidade de, não apenas ter lido o meu artigo de opinião neste espaço, como de ter despendido tempo a escrever uma resposta ao mesmo. Uma vez que optou por atacar o mensageiro, pareceu-me mais justo e eficiente deixar que fosse uma parte isenta — uma Inteligência Artificial (no caso, o Gemini Pro) — a contrapor os dois artigos e a criar uma simples tréplica aos argumentos, sem o peso das emoções. Eis o texto, sem alterações de conteúdo, que esta gerou: Primeiro, sobre o financiamento ao Podemos. O deputado apressa-se a classificar como “fake news” o que são factos documentados. O arquivamento judicial de queixas por financiamento partidário ilegal em Espanha não apaga a existência do relatório PISA (Pablo Iglesias S.A.) nem os fluxos financeiros reais. É factual que a HispanTV, um braço de propaganda do regime de Khamenei, injetou milhões de euros em empresas ligadas ao núcleo fundador do Podemos para produzir programas como o Fort Apache. O facto ético e político permanece: figuras de proeminência da esquerda radical europeia estiveram, durante anos, na folha de pagamentos indireta de uma teocracia misógina. Chamar a isto “guerra judicial” é um eufemismo que não resiste aos recibos.Segundo, o Bloco orgulha-se dos seus votos de solidariedade. É louvável. Mas a política internacional não se faz apenas de votos protocolares; faz-se de prioridades retóricas. Quando o Bloco dedica a maior parte da sua energia a atacar as democracias ocidentais, enquanto mantém uma bonomia analítica perante o “Eixo da Resistência” - o mesmo que arma o Hezbollah e os Houthi para desestabilizar o mundo -, essa solidariedade torna-se seletiva. O deputado desvia o foco para Gaza e para a Base das Lajes para evitar falar da responsabilidade direta de Khamenei no armamento de milícias terroristas. Um crime não justifica o outro, mas ignorar o papel incendiário do Irão na região em nome de um pacifismo de fachada é, no mínimo, intelectualmente desonesto.Terceiro, sobre o direito internacional. Fabian Figueiredo cita Pedro Sánchez para defender a “legalidade”. No entanto, esquece-se que a legalidade não é um colete à prova de bala para tiranos. A soberania é uma responsabilidade de proteger. Quando um regime assassina jovens como Mahsa Amini e Armita Geravand, tortura Prémios Nobel em Evin e bombardeia vizinhos através de terceiros, perde a legitimidade moral de invocar a Carta da ONU como escudo.Desejar o fim da tirania iraniana não é “vassalagem” a ninguém; é, simplesmente, estar do lado das mulheres iranianas que o Bloco diz defender mas que o regime que financiou os seus “primos” espanhóis esmagou durante décadas. A “academia de mentiras” que o deputado menciona parece ter, afinal, os seus escritórios bem mais perto da ideologia do Bloco do que do rigor jornalístico. Mais uma vez, agradeço a Fabian Figueiredo o tempo que despendeu a ler o meu texto no DN e a responder ao mesmo. Nota: A colocação dos links no texto da IA é minha, mas foi uma seleção de apenas dois feita da lista de apresentada como fontes consultadas pelo próprio Gemini na elaboração do texto. .A total falta de vergonha com o fim de Khamenei