Recém-chegado da Região Autónoma da Madeira (RAM), permitam-me algumas notas. O PIB per capita da RAM era de um terço da média nacional em 1975. Agora encontra-se ligeiramente acima do todo português.O baixo nível de conflitualidade social em muito contribuiu para este resultado que a todos nos deve orgulhar. Sim, porque na Madeira, na região autónoma que fintou o atraso estrutural, no Conselho Económico e Social (e na Comissão Permanente de Concertação Social) sentam-se todos. Os empresários, o Governo Regional, mas também todas as centrais sindicais (incluindo a USI - União dos Sindicatos Independentes) e não apenas as do regime saído do PREC.E isto a propósito do espetáculo deprimente da senhora ministra do Trabalho (que sozinha vai levar o Chega ao colo até ao Governo) que insiste em negociar com apenas uma das três centrais sindicais...Tão ou mais importante, a notícia dos resultados das grandes empresas. O ano de 2025 foi, genericamente, excelente para os acionistas e para os gestores de topo destas empresas, maioritariamente cotadas em bolsas. Belíssimos lucros, belíssimos bónus para os gestores de topo. Nada a opor.O busílis, contudo, é que uma grande parte dos trabalhadores destas empresas, em Portugal, mas ao longo da Europa nomeadamente, são trabalhadores qualificados, na faixa dos 40 a 60 anos, com poucas esperanças de serem considerados jovens talentos que urge reter, ou com baixas possibilidades de ascenderem ao Olimpo da gestão de topo.Para esses, as remunerações estão estagnadas, com atualizações anuais que são nulas, ou tendencialmente abaixo da inflação ‘core’. Mais gravoso, ainda, no sector financeiro, com perda de posição remuneratória face a outros sectores de atividade.E os trabalhadores destes sectores olham para os médicos, os professores, os militares, os juízes, entre tantos outros, em que existem promoções em função da antiguidade conjugada com a aquisição de conhecimentos e de novas competências. Num reconhecimento de que a ‘carreira’ de chefia não é a única forma de progressão, e que o mérito, o esforço, também contam.Por tudo isto, nas negociações coletivas, no sector financeiro, nas telecomunicações, na energia, entre outros, temos insistido, com veemência, na eliminação do teto nas promoções e na revisão extraordinária da situação de milhares de trabalhadores que há vários anos estão em situação profissional sem valorização salarial.Por isso, nada contra lucros e bónus. Mas há que atender aos carregadores de piano, aos trincos e defesas centrais, numa metáfora futebolística, num mundo corporativo que sobrevaloriza o avançado finalizador (o gestor de topo) e esquece os quadros superiores, intermédios e técnicos. E por isso o repto: e as promoções?