Depois do Brexit e do Bregret virá un UnBrexit?

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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Foi com um “welcome back”, assim, em inglês, que Emmanuel Macron recebeu a perspetiva de o Reino Unido poder regressar à União Europeia. Um entusiasmo partilhado por Pedro Sánchez, que prometeu receber os britânicos “de braços abertos” caso seja esse o caminho que escolherem.

O presidente francês e o primeiro-ministro espanhol foram dois dos líderes europeus que mostraram o seu agrado depois de o primeiro-ministro Andy Burnham ter voltado a afirmar que a saída do Reino Unido da União Europeia fez “mais mal do que bem” e que estaria disposto a “ir até ao fim” - ou seja, a voltar a aderir ao bloco europeu.

A 23 de junho de 2016, os britânicos foram às urnas num referendo em que quase 52% decidiram pela saída da UE. Um resultado para o qual o voto inglês foi decisivo, mesmo se Gales também escolheu a saída, ao contrário de Escócia e Irlanda do Norte onde o “Remain” venceu largamente. Um resultado que logo na manhã seguinte parece ter surpreendido muitos britânicos, mesmo entre aqueles que votaram “Leave”, cunhando os media locais as expressões “Regrexit” ou “Bregret” para se referirem ao arrependimento sentido pelos que acharam que estavam apenas a fazer um voto de protesto e acabaram a ver o seu país encetar um atribulado processo de saída da UE, que se concretizou a 31 de janeiro de 2020.

Burnham voltou agora a falar num “possível” referendo para desfazer o resultado do anterior, admitindo colocar essa hipótese num manifesto eleitoral do Partido Trabalhista. E se o assunto promete tornar-se no foco de uma eventual campanha - se não forem antecipadas, as eleições no Reino Unido terão de se realizar até agosto de 2029 - a verdade é que as sondagens mostram que a maioria dos britânicos diz hoje que foi um erro sair da UE. Segundo o último estudo da YouGov, 57% estão arrependidos, contra 30% que acham que o Brexit foi a opção correta.

Mas seria possível um Unbrexit? Sim, mas o Reino Unido, que aderiu à UE em janeiro de 1973 mas sempre manteve um pé de fora da plena integração, rejeitando aderir ao euro e mantendo vários excecionalismos, teria de voltar a passar pelo processo de adesão, uma vez que não existe um mecanismo de “reentrada automática”.

Sob a ameaça recente de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte de avançarem para a independência e para um regresso em nome próprio à UE, o governo britânico pode apostar na promessa de regresso ao bloco para tentar manter a união do reino. Mas um UnBrexit significaria agora um compromisso pleno de Londres com as regras da UE ou continuaria a tentar manter todos as exceções - os chamados opt-out? Para já poucos acreditarão que os britânicos estejam dispostos a abdicar da libra para aderir ao euro. Quanto a manter uma posição especial relativamente ao espaço Schengen e outros excecionalismos, uma eventual reentrada do Reino Unido implicaria, no mínimo, um longo processo de negociações com Bruxelas.

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