Argélia no centro, porque entalada entre Marrocos e Tunísia!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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O Hexágono, como a Argélia é conhecida, ganhou, desde o 23 de setembro, uma centralidade marginal, com a nomeação de Fatima Ezzarahra El Mansouri, enquanto primeira-ministra (PM) de Marrocos, já que coloca o Presisente (PR) Tebboune, entre duas PM’s, a marroquina e a tunisina, Sara Zaafarani Zenzari!

Destes 3, que constituem o Pequeno Magrebe, já que o Grande, o Magrebe, como o conhecemos, também inclui Líbia e Mauritânia. Destes 3, dizia, a Argélia, é o único que ainda não concretizou a mudança geracional, que a Primavera Árabe forçou. O PR Tebboune, oito anos mais novo que o antecessor Bouteflika, foi cinco vezes ministro deste, e uma vez PM!

Com eleições presidenciais só em 2029, o principal desafio interno argelino, será, nos próximos dois anos, filtrar alguém do Hirak, que tenha feito a tropa, e que domine os códigos militares, para proceder a uma mudança geracional controlada, já que não se muda do militar para o civil, só porque se muda da farda para a jaqueta!

A Argélia não pode adiar/ignorar mais, esta maioria silenciosa, que o Hirak grita! Este “Movimento”, sobretudo urbano e letrado, é o grosso da base da pirâmide demográfica (até 35 anos), que agora vota, apesar de não arranjar trabalho! A bomba relógio está aqui e pode detonar, com a projeção de um putativo candidato militar, a premiar com a presidência, em jeito de promoção militar/popular.

Por outro lado, caso não filtrem um candidato credível e comunicável, quero dizer, disponível para atender o telefone vermelho ainda antes da campanha começar, perante um átomo livre, um regime que já é militar, põe todos em sentido, em 3 tempos.

Neste capítulo, sejam trendys e pensem: Mulher, isso é que os calava a todos/as!

Esta centralidade marginal, reforçou-se com as declarações esta semana, do PR Tebboune, que confirmou o envio em agosto, de bombardeiros da Força Aérea, para o Níger, em socorro da Junta Militar, que sofreu tentativa de putch militar.

Eis a prioridade externa argelina, que a coloca no novo centro da geopolítica mundial, a construção do gasoduto trans-sahariano, até à fonte, na Nigéria. Ao atravessar o território do Níger, o projeto argelino confere-lhes responsabilidades de segurança no mesmo (território), pelo que o próximo Presidente, ou Presidenta, já ferverá a água para o chá, por esta via.

O game changer para o sector da segurança, são os drones, a monitorizarem em quadrícula, enquanto podemos optar entre ar-condicionado ou lareira. Daí essa prioridade portuguesa, no sentido da investigação dessa tecnologia, fabrico, e mais um inédito porta-drones!

O que é que isto tem a ver com a Argélia? Tudo, é de lá que vem o gás!

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