A inteligência divina para explicar a Inteligência Artificial

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Sua Santidade o Papa Leão XIV publicou a sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, dedicada à Inteligência Artificial (IA) e ao "tecno-fascismo". Assinado no 135.º aniversário da Rerum Novarum e divulgado a 25 de maio, o documento do "Papa Americano" coloca a dignidade da Pessoa Humana no centro da era digital.

O Santo Padre aponta cinco princípios fundamentais para guiar a Doutrina Social da Igreja nesta nova era:

  1. Bem Comum: Indissociável da identidade e existência dos povos.

  2. Destinação Universal dos Bens: Igualdade de oportunidades contra a iniquidade digital.

  3. Subsidiariedade: Superação do assistencialismo em favor da corresponsabilização social.

  4. Solidariedade: Uma virtude ativa contra a indiferença global.

  5. Justiça: Focada na urgência humanitária de proteger os migrantes.

O documento alerta para a perigosa concentração de poder económico num restrito oligopólio tecnológico. A crescente automação dos processos decisórios, sem supervisão humana, ameaça as liberdades fundamentais e acelera a exclusão socioeconómica.

Ao cunhar o termo "tecno-fascismo", Leão XIV não visa regimes políticos tradicionais. Aponta antes à submissão da sociedade a uma "cultura de poder absoluto" legitimada por dados e algoritmos. O controlo monopolista da informação confere hoje um direito implícito de governar as massas sem escrutínio democrático. Reduzir o ser humano a variáveis de otimização matemática é uma desumanização profunda que o Papa compara à soberba da Torre de Babel.

Perante isto, o Pontífice exige o "desarmamento da IA". Se permitirmos que sistemas automatizados decidam quem acede a empregos, créditos ou apoios, o poder migra da moral para uma elite tecnológica inacessível. No plano geopolítico, o aviso é taxativo: “Não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. Delegar decisões de vida ou morte a máquinas elimina a empatia, convertendo a violência em métricas industriais de armamento. O monopólio digital ameaça criar um fosso intransponível, invisibilizando quem não domina a técnica.

"Desarmar a tecnologia" não é rejeitá-la, mas sim retirar-lhe o arbítrio absoluto. Num mundo onde testemunhamos diariamente as falhas dos Homens, resta a pergunta: o amparo virá da Inteligência Artificial ou do Divino? A Fé move montanhas, mas convém empurrar...

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