A Figura do Dia. Rui Couceiro

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Não tem televisão em casa, nunca teve. Vai ao cinema e ao teatro, mas apenas aos filmes e espetáculos que podem acrescentar a um mundo feito de livros, palavras e silêncio, a sua maldição.

Rui Couceiro tem pouco mais de 40 anos e é já a figura mais influente da literatura em Portugal. O seu percurso, a sua obsessão pelo percurso, a disciplina com que encara cada batalha, o talento para imaginar e a competência para concretizar o que imagina, trouxeram-no a um lugar único.

"Rui Couceiro tem pouco mais de 40 anos e é já a figura mais influente da literatura em Portugal."
"Rui Couceiro tem pouco mais de 40 anos e é já a figura mais influente da literatura em Portugal." FOTO: Alexandra Teófilo

Corre na sua pista, mas sem pressa. Poderia ter sido uma estrela da SIC, tinha 24 anos e quiseram que ficasse, mas o Rui recebeu um convite para estagiar na Porto Editora, não hesitou. Foi assessor de Comunicação e depois editor e logo a seguir um dos editores de maior sucesso comercial.

Na empresa deram-lhe uma chancela, a Contraponto, que tornou grande. Lançou uma coleção de biografias de escritores portugueses que ficará para a história. Só que desejava mais, queria cumprir-se, ser um escritor.

Rui Couceiro "foi muito aplaudido na sua sala cheia, comemorado pelo livro e pelo que é. Um homem sem medo de desejar, de ser mais, de ser tudo".

É autor de dois romances já traduzidos em vários países e esta terça-feira, 27 de abril, ao fim da tarde, lançou em Lisboa, o magnífico A Mais Bela Maldição, apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa – uma série de contos reais sobre leitores, poderosos leitores.

Foi muito aplaudido na sua sala cheia, comemorado pelo livro e pelo que é. Um homem sem medo de desejar, de ser mais, de ser tudo. Sem medo de ter sido o escolhido pela Fundação Lello para erguer o lugar de Babell, o festival que acredita que os livros são o mais poderoso antídoto contra este nevoeiro cerrado.
 

 

PS: Marcelo Rebelo de Sousa, em 2024, usou um cravo na lapela nas comemorações do 25 de Abril. As minhas sinceras desculpas.

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