A negociação da proposta de alteração da lei laboral tem um vencedor e vários vencidos. Mário Mourão, secretário-geral da UGT, é o único que reforçou o seu poder. Todos os outros tornaram-se atores secundários, figurantes ou canapés. A ministra fragilizou-se, o presidente da CIP tornou-se um apêndice e os restantes parceiros conseguiram a proeza de ficar invisíveis.. Entre os protagonistas, a CGTP é a que mais perdeu nestas negociações. Sendo, de longe, a maior central sindical, a sua ausência nas negociações tornou-se ensurdecedora. Podia ter acontecido o contrário, se a UGT vacilasse, se Mário Mourão não se tivesse revelado, reforçaria a perceção de ser a única organização que defende verdadeiramente os trabalhadores. Só que aconteceu o contrário, Mourão aproveitou o espaço deixado vazio e ocupou-o com astúcia. O travão às alterações da lei laboral deveu-se a ele e no futuro capitalizará, em nome da UGT, a defesa que fez dos direitos laborais adquiridos. Não é uma coisa pequena. O Partido Comunista tem perdido parte do músculo que tinha – no parlamento ou no poder local a sua expressão diminuiu, mas não o poder nas ruas através da CGTP. Este mediatismo da UGT é extremamente perigoso pois altera uma perspetiva considerada indiscutível, a de que os trabalhadores só podiam confiar num sindicato. Mário Mourão, bancário e militante socialista que, honra lhe seja feita, recusou apoiar como deputado o último Orçamento de Estado apresentado por Sócrates, sentou-se à mesa e bebeu, impiedosamente, todo o espumante.