Em Lisboa, no espaço Âmbito Cultural do Corte Inglès, estão quase todos os detalhes que importam sobre os primeiros dias da democracia em Portugal. Não há lugar ou livro que explique mais intimamente o tempo em que os fundadores aprovaram a Constituição.São 15 fotografias, muito poucas, mas as suficientes para perceber o que estava em causa e a razão por que lutavam, à esquerda e à direita, por um Portugal novo. Basta vê-los ali. Personagens reais que parecem ficção. Gente forte, séria, de confiança..São imagens poderosas. Vemos gente com fogo nos olhos, com a paixão que define os raros momentos em que na nossa vida somos irrepetíveis e absolutos. Imagens de um fotógrafo maior, quase sempre injustamente esquecido no ranking dos melhores entre os melhores.Inácio Ludgero é tudo isso. O mais politizado entre todos os fotógrafos portugueses, um artista que sacrificou a escultura e a criação pelo jornalismo, um político que usou a máquina como arma retórica, um maçon das velhas lojas com velhos homens que já não se fazem.."Passe pelas 15 fotografias [de Inácio Ludgero] que explicam a Constituição, imagine-o entre aquelas pessoas, a conversar como se não fosse nada.".Conheci Inácio numa outra vida. Falava comigo como se eu não fosse um miúdo. Quando saíamos em alguma reportagem, dizia-me de livros e ideias. E quando chegava aos sítios conversava com quem encontrávamos, embrenhava-se nas vidas. E ia fotografando como se limpasse os óculos ou bebesse um copo de tinto numa mesa de amigos.Passe pelas 15 fotografias que explicam a Constituição, imagine-o entre aquelas pessoas, a conversar como se não fosse nada.