A absurda polémica sobre Doku e o parto do filho

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

Publicado a

O Campeonato do Mundo de futebol que está a decorrer já tinha algumas polémicas menores: um árbitro que não foi autorizado a entrar nos Estados Unidos, a seleção do Irão que só estava autorizada a permanecer nos EUA no dia do jogo, uma situação ontem minimizada pois agora já podem ir dois dias antes do encontro, e paragens para hidratação que na realidade servem para fins comerciais e não ajudam ao normal desenrolar do jogo.

Mas o que não se estava à espera é que o nascimento de uma criança se transformasse em tema de discussão sobre a importância do pai nesse momento. Uma decisão que nem devia ser questionada.

Porém, foi o que aconteceu esta semana após ser conhecida a vontade do futebolista belga Jérémy Doku em querer assistir ao parto do seu primeiro filho, que se chama Praise. O atleta deixou o estágio da seleção no passado domingo e foi a Londres “juntar-se temporariamente à sua esposa”, como comunicou a federação belga.

A decisão acabou por ser tema de discussão nas redes sociais e até motivou o afastamento da apresentadora do canal francês L’Équipe TV France Pierron, depois de ela ter dito que o parto era “um momento repugnante, em que o pai é inútil”. O que lhe valeu inúmeras críticas nas redes sociais. O canal anunciou mais tarde que a jornalista estava afastada da antena e pediu desculpa ao futebolista. O certo é que Doku foi mesmo assistir ao parto e regressou ao estágio da equipa belga estando integrado na preparação do jogo de sábado com a Nova Zelândia, da terceira jornada da fase de grupos da competição.

Para já a polémica sobre a decisão parece ter terminado, ficando para cada um a opinião sobre se o progenitor deve assistir ao nascimento do filho, a relação que isso pode criar até entre o casal e a decisão da mãe sobre a presença do pai da criança. São tudo razões pessoais e que, neste caso, a federação belga nem sequer questionou. E bem, na minha opinião.

Tal como ninguém colocou em causa a opção de Leo Ostigard, o defesa central da Noruega que foi pai na sexta-feira passada (19 de junho) e que assistiu ao parto com recurso a uma videochamada. “Estou muito orgulhoso. É difícil de acreditar. Quando o vi pela primeira vez, desabei em lágrimas. É a coisa mais linda que já vivi, sem dúvida”, disse o atleta na gravação de um vídeo partilhado pela seleção norueguesa.

E não devia ser esta sensação a destacar em vez de polémicas absurdas?

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