Um alerta europeu em cinco linhas

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

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Cinco linhas. É este o espaço que ocupa no press release acerca do Relatório Europeu sobre Drogas 2026 a referência a um aumento de notificações sobre a deteção de medicamentos falsificados com nitazenos (opioides sintéticos ultrapotentes) que imitam remédios sujeitos a receita médica como oxicodona (analgésico) ou diazepam (ansiolítico).

Pode ler-se no documento que, no ano passado, o Sistema de Alerta Rápido da União Europeia registou “um aumento do número de notificações SAR” sem quantificar essa subida, mas a verdade é que só essa referência já é um alerta importante.

Num país com uma das mais altas taxas de consumo de ansiolíticos e calmantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), segundo os dados mais recentes conhecidos, a referência que surge no relatório deve ser levada muito a sério. É que a procura que existe em Portugal por este tipo de comprimidos legais já é elevada , mas juntar-lhe a compra (quase toda online) de produtos falsificados é um grave problema de saúde pública.

É verdade que as autoridades nacionais estão atentas à situação e têm sido efetuadas diversas operações lideradas pela Autoridade Tributária, em conjunto com a Interpol, no controlo aduaneiro de encomendas que chegam ao país. Por exemplo, em dezembro de 2024 e maio de 2025, foram apreendidas 30 mil unidades de medicamentos ilegais que chegaram a Portugal, país que é um dos maiores consumidores do mundo de ansiolíticos - o Infarmed estima que 180 mil portugueses consumam estes medicamentos diariamente num total de 10 milhões de embalagens por ano.

Perante este cenário, o foco do Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2030, da responsabilidade do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, na prevenção e na redução de riscos pode ser o rumo para tentar reduzir o impacto destas substâncias compradas de forma ilegal na saúde pública. Tal como a ação das autoridades em detetar e encerrar sites – sendo que muitas das vendas são feitas na dark web – que promovem os produtos falsificados.

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