Faltam 13 dias para terminarem as aulas, o 1.º ciclo e o pré-escolar fecham portas dia 30, e esse é o tempo que resta ao ministro da Educação, Ciência e Inovação para cumprir uma promessa: a de divulgar neste ano letivo o número de alunos que estiveram sem aulas por falta de professores. Fernando Alexandre garantiu a 31 de março que esse número iria ser conhecido de forma oficial depois de o seu ministério apurar todos os dados necessários. E que os valores avançados tanto pela Fenprof como pelo Movimento Escola Pública não eram corretos – recorde-se que estas entidades apontavam para cerca de 38 mil alunos sem todos os professores no início do terceiro período de aulas. O governante já rebateu essa tese afirmando que essas estimativas estavam “enviesadas” e que não correspondiam a situações reais.Mas, a verdade é que até agora não se ouviu do Ministério da Educação, Ciência e Inovação nenhuma explicação, além de que estaria a ser efetuada uma reforma do ministério (já terminada) e que a contabilização dos alunos sem professores seria feita com recursos aos dados dos sumários eletrónicos registados pelos professores em cada aula.É, até, provável que tudo isto seja correto, o certo, porém, é que a 13 dias do final das aulas, ninguém sabe quantos alunos estiveram sem pelo menos um professor, nem quanto tempo essa falta ocorreu. E, bastante importante, o impacte de tal situação no percurso letivo do jovem.Num determinado momento, Fernando Alexandre disse: “As pessoas não sabiam que não sabiam. E agora sabemos que não sabiam.” Depois prometeu que os números do ministério seriam “à prova de bala”, mas não se comprometeu com datas.A discussão sobre o número de alunos sem professores a pelo menos uma disciplina não é uma questão menor. O percurso académico de um jovem pode ser prejudicado por não ter aulas durante um determinado período. Isto numa altura em que apesar de terem sido colocados 19.172 docentes no concurso nacional para 2026/27 apenas 213 são, de facto, novos no sistema, como noticiou recentemente o DN.Eu sei que há muito trabalho para fazer no setor e nada se faz de um dia para o outro. Mas, parece-me, que saber o número de alunos que não têm aulas é um dos pontos principais para se conseguir uma “escola pública forte”, como já disse o ministro.