Os Viriatos e a aliança ibérica

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Reza a história que a cidade de Viseu adotou como herói local um beirão que liderou os Lusitanos no combate ao Império Romano, de seu nome Viriato, cuja bravura e coragem foi imortalizada numa escultura do espanhol Mariano Benlliure. Tornou-se cognome dos cidadãos viseenses e símbolo da valentia portuguesa também por culpa de uma aliança Ibérica durante a Guerra Civil, com os espanhóis a batizarem de “viriatos” os voluntários portugueses que combateram ao lado de Franco. Noventa anos depois, o acerto de contas com a história faz-se com uma bola de futebol. Presidido pelo espanhol Mariano Maroto Lopez , o Académico de Viseu tenta carimbar amanhã (11h00, Sport TV1) a subida à I Liga, num jogo com o Sporting B. Fundado a 7 de junho de 1914, o Académico de Viseu sofreu as dores da interioridade, mas segundo Mariano Maroto Lopez foi “a mentalidade do interior” de Portugal que deu identidade ao projeto e o tornou sólido e robusto.

No sábado, no Estádio do Fontelo e no Rossio de Viseu, onde estará montada uma fanzone, o clube, a equipa e os adeptos podem festejar o regresso ao principal escalão do futebol português, onde o clube marcou presença pela última vez na temporada 1988/89. Na pior das hipóteses, leia-se, em caso de derrota, os viriatos conseguirão o acesso ao playoff de promoção à I Liga. O mesmo se aplica ao Torrense, que procura reviver glórias passadas. Em 1956, a equipa de Torres Vedras estreou-se na então primeira divisão e foi finalista da Taça de Portugal (perdeu, por 2-0, com o FC Porto). A 24 de maio, o Torreense vai voltar ao Estádio Nacional, no Jamor, desta vez para jogar a final com o Sporting, desejando já o fazer com os dois pés na I Liga. A acontecer o clube viverá uma época como nenhuma outra antes em 109 anos, graças também ao sucesso da equipa feminina que venceu a Taça da Liga e conseguiu um lugar na Liga dos Campeões 2026/27 com o 3.º lugar na Liga BPI.

Na Liga 3, depois do Amarante ter garantido pela primeira vez, em mais de 100 anos de existência, a subida às competições profissionais, a Académica de Coimbra e Belenenses vão lutar pela outra vaga de apuramento direto para a II Liga. São dois históricos à procura de melhores dias. Quem terminar a fase do Apuramento de Campeões em 3.º terá de jogar um playoff com o 16.º classificado da II Liga. Amanhã a Académica recebe o Trofense (Belenenses joga com o Mafra, às 16h30, Canal 11) e a formação dos estudantes espera festejar o quarto regresso aos campeonatos profissionais perante 18 mil adeptos - será recorde de assistência na Liga 3.

O sobe e desce dos campeonatos, que vai muito para lá da luta pelo playoff de acesso à Liga dos Campeões que o Benfica e Sporting irão travar no sábado, também passa pela I Liga. Já amanhã, às 18h00, na 34.ª e última jornada, Casa Pia e Estrela lutam para se manterem entre os maiores do futebol nacional.

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