Análise ao Trio de Ferro: contrastes na luta pelo título

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Os "três grandes" do futebol português apresentam percursos distintos nesta edição da Liga, alicerçados em indicadores estratégicos bem diferenciados. A oito jornadas, do fim, o equilíbrio entre pragmatismo, eficácia e resiliência dita a hierarquia da tabela.

O FC Porto lidera a competição, sustentado por uma solidez defensiva quase intransponível. Francesco Farioli incutiu um modelo onde o rigor impera, com apenas 10 golos sofridos, a equipa privilegia a agressividade na reação à perda de bola, pressionando alto, independentemente do setor. O sucesso deve-se, em grande parte, à qualidade do "losango" defensivo composto por Diogo Costa, Bednarek, Kiwior e por Varela ou Pablo Rosário. Este FC Porto bebe, claramente, do pragmatismo italiano, com 52 golos marcados (o 4.º melhor ataque), os azuis e brancos preferem a eficácia ao espetáculo. O facto de metade das suas 22 vitórias (11) ter sido conseguida pela margem mínima, valida a tese de que, para Farioli, controlar o resultado é mais importante do que ampliar a vantagem.

A 7 pontos da liderança (e com um jogo em atraso), o Sporting posiciona-se como o antípoda do rival. É o ataque mais avassalador do campeonato, com 64 golos marcados. Luís Suárez tem sido a sensação. Com 23 golos em 25 jogos, o colombiano faz esquecer a sombra de Gyökeres e destaca-se num plantel onde Pote (10 golos) é o segundo melhor finalizador. Nota alta para Geny Catamo. O moçambicano atravessa o seu melhor momento em Alvalade, funcionando como o principal desequilibrador e somando já 5 golos e 3 assistências.

O Benfica de José Mourinho apresenta um registo curioso, é a única equipa que ainda não provou o sabor da derrota após 26 jornadas. Contudo, a resiliência não tem sido sinónimo de liderança. Os 8 empates acumulados — 5 dos quais em casa e 3 frente a equipas da metade inferior da tabela classificativa (Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia) — têm impedido a subida aos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Sem ser tão exuberante no ataque como o Sporting, nem tão eficiente como o FC Porto, na defesa, o Benfica tem pecado, sobretudo, pela falta de capacidade em fechar certos jogos que pareciam controlados.

A oito jornadas do fim, com 24 pontos em jogo (27 para o Sporting), os dragões lideram com o conforto de quem detém a vantagem pontual e psicológica. Contudo, os leões mantêm-se à espreita e um deslize portista inverteria a pressão emocional a favor dos de Alvalade. Com pouca margem de erro, qualquer fissura no "losango" de Farioli, cenário que o próprio treinador conhece por experiência própria, poderá ditar um novo destino para o título. Já o Benfica, embora mais atrasado e com um jogo a mais face ao Sporting, ainda se agarra à matemática, apesar de Mourinho admitir a hercúlea tarefa. Para alimentar o sonho, as águias terão de ser implacáveis na consistência, esperar por deslizes alheios e, acima de tudo, superiorizar-se ao Sporting no confronto direto.

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