50 anos? Menos ego, mais vida!

Pedro Lucas

Diretor das revistas 'Men's Health' e 'Women's Health'

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Esta semana recebi várias mensagens de leitores da Men’s Health, de pessoas próximas e até de figuras públicas. Todas a apontar para os 50 anos! “Em 2030 faço 50, vamos à capa?”; “Não é só o Rio Ferdinand, olha aqui eu, em forma aos 53”; “Vou fazer 50 este ano, consideras fazermos um desafio antes e depois , que costumam fazer?”… Isto leva-me a ousar transferir a meia-idade do homem dos anteriores 40 para os 50. Não só por estas mensagens, mas porque profissionalmente já trabalho o mercado masculino há 25 anos e, através da Men’s Health, fazemos recorrentemente estudos sobre hábitos e comportamentos do homem. Mas passo a detalhar…

O homem tem uma primeira reflexão sobre a idade quando faz 40, mas uma noção clara de como quer viver aos 50. Provavelmente, é nesta idade que o espelho deixa de ser apenas espelho e passa a ser um arquivo de memórias. E o homem torna-se mais determinado. Sente que o corpo mudou aos 40, mas há uma acentuação clara a partir dos 50. E “piora” se não fizer nada por isso. O homem sabe disso!

Quase tão importante quanto dormir bem ou ter cuidado com o que come é, nesta fase da vida, que praticar musculação é fundamental, pois há uma perda natural de massa muscular. Por isso, mesmo que nunca tenha colocado os pés num ginásio, considere fazê-lo.

Praticar musculação (a partir dos 50), preserva e recupera a massa muscular. Isto significa poder continuar a fazer coisas básicas como subir escadas, carregar compras ou levantar-se de uma cadeira, sem depender de ninguém. Depois, porque protege os ossos. O treino de força estimula a densidade óssea, prevenindo problemas como a osteoporose numa fase mais avançada da vida. Há também um impacto forte no metabolismo: mais músculo significa melhor controlo do peso, da glicemia e menor risco de doenças como a diabetes tipo 2.

E podia continuar por aqui fora, com mais alertas, conselhos e factos. Mas acredito que encontrará tempo para fazer dois ou três treinos de meia hora por semana, com exercícios básicos e progressivos, se possível com orientação de um profissional de desporto.

Eu sei que durante muito tempo o discurso dominante sobre a prática desportiva ignorou esta transição etária. “Contra mim escrevo”, mas a cultura do fitness continua construída em torno de corpos de 25 ou 30 anos. Os planos de treino, as imagens publicitárias, as promessas de transformação física, tudo parece pensado para uma fase da vida em que o metabolismo ainda acelera com facilidade e o corpo recupera quase automaticamente. Mas há que inverter a lógica comum, falar diretamente para o homem com mais de 50 e mostrar-lhe que estas mudanças não significam necessariamente declínio. Em muitos casos significam maturidade física.

Quem continua ativo nesta fase descobre algo que raramente é explicado quando somos mais novos: o treino deixa de ser apenas sobre performance e passa a ser sobre longevidade. Correr já não serve apenas para baixar minutos numa prova. Serve para proteger o coração, preservar músculo, manter mobilidade, ter mais energia durante o dia. O exercício deixa de ser um instrumento de transformação estética e torna-se uma ferramenta de saúde. É uma negociação diferente que tem pela frente. Menos ego, mais vida.

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