Finalizada a I Liga 2025/2026, é altura de dar o devido destaque a quem o merece. Num artigo dividido em 3 partes, Gonçalo Santo, autor do projeto “Rola a Bola”, deixa os seus destaques individuais desta edição da I Liga, selecionando 1 jogador por equipa.⠀Nesta segunda parte, é exposto quem, na sua visão, mais se destacou entre o 7.º e o 12.º classificados do nosso campeonato!⠀⠀Diogo Travassos (Moreirense)Depois de um início de temporada fantástico, no qual as boas exibições andaram de “mãos dadas” com os bons resultados, o Moreirense começou a ressentir-se da falta de profundidade do seu plantel.⠀⠀Perante uma vaga de lesões e a saída da sua principal referência ofensiva (Guilherme Schettine), no mercado de janeiro, o clube de Moreira de Cónegos foi perdendo algum brilho.⠀⠀No entanto, mesmo sem o nível exibicional de outrora, o Moreirense nunca deixou de ser uma equipa competitiva.⠀⠀Vasco Botelho da Costa soube adaptar-se à situação. Conseguiu encontrar soluções com os jogadores disponíveis. ⠀⠀Diogo Travassos foi um dos jogadores que melhor simbolizou essa capacidade de adaptação em prol do coletivo. ⠀⠀Entre as posições por onde passou (lateral e extremo em ambos os corredores), Travassos destacou-se mais na de extremo direito, que foi a que desempenhou mais vezes ao longo da época.⠀⠀Nessa posição, protagonizou uma excelente parceria com o lateral Dinis Pinto (até à lesão deste).⠀⠀Para além da capacidade associativa, Travassos provou ter outros argumentos bastante válidos a nível ofensivo.⠀⠀É muito rápido e forte no 1x1 (mudanças de velocidade e sem medo de ir “para cima” do adversário).⠀Ataca bem a profundidade.⠀A facilidade que tem de jogar com os 2 pés permite-lhe muitas vezes “puxar” para dentro e ameaçar com o remate de meia distância.⠀⠀Como pontos menos positivos, fica alguma precipitação no último terço, o que leva a que nem sempre defina da melhor forma.⠀⠀⠀Apesar da disponibilidade na pressão, na reação à perda e na transição defensiva, no pouco que jogou a lateral, foram perceptíveis algumas dificuldades defensivas (erros de posicionamento, perdendo muitas vezes as “costas”).⠀⠀⠀Numa altura em que já está confirmada a sua transferência para o SC Braga, veremos qual será a evolução de Diogo Travassos sob a orientação de Carlos Vicens!⠀⠀Taichi Fukui (Arouca)Após uma 1.ª volta muito negativa, o Arouca decidiu manter o seu treinador (Vasco Seabra). A decisão revelou-se acertada, dado que o clube arouquense terminou a I Liga num confortável 8.º lugar.⠀Como é habitual nas equipas de Vasco Seabra, há várias individualidades que foram valorizadas por estarem inseridas num coletivo com personalidade e uma ideia de jogo ambiciosa.⠀Nesse sentido, Taichi Fukui acabou por ser o grande destaque do Arouca em 2025/2026.⠀O japonês é um jogador de equipa grande. Encaixa na perfeição em ideias de jogo que privilegiam a posse.⠀É um médio muito cerebral, capaz de assumir a organização e participar na 1.ª fase de construção.⠀Fukui é muito inteligente na gestão dos ritmos.⠀Possui agilidade e técnica para sair de zonas de pressão.⠀Demonstra qualidade na ligação ao ataque e capacidade para se associar com colegas em zonas mais avançadas do terreno.⠀Sem bola, apesar de ser bastante esforçado (bom compromisso nos duelos e na reação à perda), tem algumas lacunas.⠀Comete alguns erros posicionais e não tem características para se impor fisicamente.⠀⠀Num duplo pivot, sai claramente beneficiado quando tem uma referência mais posicional ao seu lado (no Arouca, Espen van Ee foi muito importante para que Fukui pudesse apresentar a sua melhor versão).⠀Perante a combinação entre o rendimento que já pode entregar no presente e o potencial que ainda tem face à sua idade (apenas 21 anos), é expectável que, neste mercado de transferências, o Arouca faça um encaixe financeiro interessante com Fukui!⠀⠀Beni Mukendi (Vitória SC)2025/2026 foi uma temporada agridoce para o Vitória SC.⠀⠀A histórica conquista da Taça da Liga surge como claro ponto alto de uma época que, desde o início, não se previa fácil para o clube vimaranense.⠀⠀O Vitória iniciou a pré-época com um determinado plantel e, face à saída de alguns jogadores importantes nos últimos dias do mercado de verão (Tiago Silva, Tomás Händel, etc…) teve de começar a temporada com outro bastante mais limitado.⠀⠀O treinador Luís Pinto tentou adaptar-se (deixou cair o 3-4-3) e procurou soluções internamente, apostando em vários jovens da formação (recrutou Noah Saviolo e Diogo Sousa da equipa B, por exemplo).⠀⠀Essas mudanças até tiveram um impacto positivo na equipa, mas não foram suficientes para tornar realista o objetivo de chegar à Europa.⠀Para além de muito jovem, o plantel tinha limitações claras.⠀⠀Apesar do talento assinalável do meio-campo para a frente, as debilidades na defesa eram demasiado evidentes.⠀⠀O Vitória SC acabou por ser uma equipa sem qualquer capacidade de se manter consistente ao longo da temporada.⠀⠀Beni Mukendi foi, provavelmente, o jogador que melhor fugiu a essa irregularidade exibicional.⠀⠀Embora cumpra em termos posicionais e tenha uma presença física que lhe permite ganhar duelos, o médio defensivo angolano destaca-se pelo que faz com bola.⠀⠀Sente-se confortável a receber de costas para a baliza.⠀⠀É inteligente na forma como utiliza o corpo e os seus argumentos técnicos para resistir à pressão do adversário.⠀⠀Assume com critério a ligação ao ataque, tendo bons recursos no passe.⠀⠀Face à situação financeira do Vitória SC, antecipam-se grandes movimentações neste mercado de verão…veremos qual será o destino de Beni Mukendi na próxima temporada!⠀⠀Yanis Begraoui (Estoril)Apesar da enorme quebra de rendimento nos últimos 2/3 meses da temporada, o Estoril foi uma das equipas mais divertidas de ver jogar ao longo desta edição da I Liga.⠀⠀Mantendo uma importante base da época passada, a equipa estorilista teve momentos de grande brilhantismo em 2025/2026.⠀⠀Ian Cathro construiu um coletivo à sua imagem: com lacunas no seu processo defensivo, mas recheada de boas ideias a nível ofensivo.⠀⠀Não foi por mero acaso que Estoril terminou o campeonato como o 5.º melhor ataque (54 golos em 34 jogos).⠀Numa equipa que assenta a sua ideia de futebol associativo e boas dinâmicas ofensivas num modelo pouco rígido, houve muito espaço e liberdade para o talento dos jogadores sobressair.⠀⠀⠀Yanis Begraoui foi um dos grandes destaques da temporada do Estoril.⠀⠀Dentro do coletivo estorilista, o ponta de lança marroquino foi o complemento perfeito para a criatividade de João Carvalho (que época fantástica) e Rafik Guitane.⠀⠀Participativo em apoios e nas combinações curtas tantas vezes promovidas pela equipa de Ian Cathro.⠀⠀Letal no ataque à profundidade. ⠀⠀Exímio a explorar o espaço entre o central e o lateral.⠀⠀Um finalizador comprovado pelos números (20 golos na I Liga).⠀⠀Independentemente de ter falhado a convocatória para o Mundial, Begraoui terá certamente bastante mercado. Aos 24 anos, está no “ponto rebuçado” para dar o “salto”!⠀ Bastien Meupiyou (Alverca)Na temporada de regresso à I Liga, o Alverca operou uma verdadeira revolução no seu plantel.⠀⠀Assente numa filosofia clara de recrutamento criterioso, valorização desportiva e rentabilização em termos financeiros, o plantel foi construído com jogadores jovens e com um potencial muito interessante.⠀⠀Finalizada a temporada, julgo que seria difícil o Alverca ter feito uma I Liga melhor.⠀⠀Face às incidências, Custódio esteve sublime na forma como criou uma equipa funcional e competitiva.⠀⠀Para além da manutenção garantida, com o 11.º lugar, o clube ribatejano ainda conseguiu a tão desejada valorização de vários ativos.⠀⠀Bastien Meupiyou acaba por ser uma das figuras da época do Alverca.⠀⠀⠀Meupiyou está longe de ser um “produto” acabado. Ainda revela alguma imaturidade. É relativamente propenso ao erro, nomeadamente por momentos de desconcentração - algo normal para um central de apenas 20 anos.⠀⠀Independentemente desses aspetos, o jovem francês tem o perfil de central da “moda” no futebol europeu: canhoto, fisicamente muito forte e com bons argumentos com bola.⠀⠀Como central da esquerda na linha de 5 do Alverca de Custódio, Meupiyou mostrou um potencial enorme.⠀⠀Combina velocidade com dimensão física (difícil de ultrapassar no 1x1 defensivo). Tem capacidade para jogar na antecipação. ⠀⠀É uma mais-valia na 1.ª fase de construção, criando desequilíbrios tanto com conduções como através do passe.⠀⠀Acredito que mais um ano no Alverca seria benéfico para o desenvolvimento de Meupiyou.⠀⠀No entanto, como “jogada” de antecipação para os grandes portugueses ou para muitos clubes médios das principais grandes ligas, o jovem central francês pode ser um alvo bastante apetecível neste mercado!⠀Jalen Blesa (Rio Ave)A época do Rio Ave teve 2 capítulos muito distintos.⠀⠀⠀Na 1.ª volta, os vila-condenses foram uma equipa com pouco sentido coletivo.⠀⠀O nível exibicional foi sempre muito pobre.⠀⠀A dependência do rendimento da dupla Clayton/André Luiz era uma evidência.⠀⠀⠀Com as saídas de Clayton e André Luiz para o Olympiacos, no mercado de inverno, chegou-se mesmo a colocar o cenário de descida de divisão como bastante provável.⠀⠀Na verdade, verificou-se que essa expectativa não poderia estar mais errada. ⠀⠀Perder os “abonos de família” da 1.ª metade da temporada foi o melhor que aconteceu ao Rio Ave.⠀⠀Sotiris Silaidopoulos viu-se obrigado a procurar soluções através do coletivo.⠀⠀A mudança para o 4-2-3-1, deixando cair o 3-4-3, acabou por ser o grande ponto de viragem da época do Rio Ave.⠀⠀A evolução da equipa foi evidente.⠀⠀Para além da mudança tática, alguns reforços tiveram um impacto assinalável.⠀⠀Diogo Bezerra (digno sucessor de André Luiz) e Gustavo Mancha (jovem central interessante) foram muito importantes para a subida de rendimento.⠀⠀Contudo, Jalen Blesa foi quem mais “saltou à vista”.⠀⠀O avançado espanhol, contratado ao Cesena, da Série B italiana, por 1,7 milhões de euros, foi uma das boas surpresas da 2.ª volta da nossa I Liga.⠀⠀No 4-2-3-1 implementado por Silaidopoulos, Blesa tanto desempenhou funções como principal referência ofensiva como também de 3.º médio/segundo avançado.⠀⠀Em ambos os papéis, provou ser um jogador diferenciado dentro do plantel do Rio Ave.⠀⠀Tecnicamente acima da média.⠀⠀Capacidade para jogar longe da baliza e participar na criação. ⠀⠀Qualidade e espontaneidade no remate com ambos os pés.⠀⠀Muito móvel e competente no ataque à profundidade.⠀⠀⠀A juntar isto, os números também suportam a tese da influência positiva de Blesa na equipa do Rio Ave.⠀Em apenas 13 jogos na I Liga, apontou 7 golos.⠀Mantendo este nível exibicional na próxima época, é provável que a estadia do espanhol em Vila do Conde seja curta…⠀