Nesta primeira parte, é exposto quem, na sua visão, mais se destacou entre os 6 últimos classificadas do nosso campeonato!Gabriel Silva (Santa Clara)⠀⠀⠀Foi uma época algo atípica para o Santa Clara.⠀⠀O clube açoriano passou da euforia de disputar a qualificação para a Fase de Liga da Conference League para a aflição da luta pela manutenção na I Liga.⠀⠀⠀O objetivo da permanência acabou por ser alcançado. Contudo, esta temporada marcou uma mudança de paradigma no Santa Clara.⠀⠀Nos últimos anos, o sucesso do clube alicerçou-se numa base muito sólida, liderada por Vasco Matos.⠀⠀Em janeiro, essa base começou a ser desfeita.⠀⠀Começando desde logo pela troca de Vasco Matos por Petit no comando técnico, mas também pelas saídas de alguns jogadores (Luís Rocha e Adriano Firmino) e a perda de protagonismo de outros (Vinicius Lopes).⠀⠀⠀Numa temporada que, por todas as incidências, foi algo “cinzenta” e sem individualidades em clara evidência, o destaque vai para um dos jogadores que ainda faz parte dessa base que marcou o Santa Clara: Gabriel Silva. ⠀⠀A qualidade de Gabriel Silva não é novidade para quem acompanha o Futebol Português. Estamos a falar de um jogador muito rápido, forte nos movimentos de rotura e no ataque à profundidade. Seja como extremo ou em posições mais centrais, encaixa perfeitamente num estilo de futebol mais direto e de transições rápidas.⠀⠀Fica a dúvida se a mudança de paradigma no projeto do Santa Clara também incluirá a saída de Gabriel Silva, uma das suas referências nas últimas épocas!⠀⠀⠀Jesús Ramírez (CD Nacional)À semelhança das 2 anteriores, esta época foi mais um milagre de Tiago Margarido na Madeira.⠀⠀O resumo do seu percurso enquanto treinador do CD Nacional é de alguém que soube fazer muito recorrendo a pouco.⠀⠀Conquistou 1 subida (quando o objetivo era garantir a permanência na II Liga) e 2 manutenções na I Liga sempre com plantéis com claras limitações.Fez-se valer pela organização das suas equipas e por uma capacidade estratégica louvável.⠀⠀Soube como rentabilizar ao máximo as individualidades em prol do coletivo.⠀⠀Jesús Ramírez é um dos melhores exemplos dessa capacidade que Tiago Margarido tem de extrair a melhor versão dos jogadores que tem à disposição.⠀⠀Depois de ter sido crucial para a subida de divisão dos madeirenses, em 2023/2024, o ponta de lança venezuelano rumou ao Vitória SC.⠀⠀A experiência em Guimarães não foi feliz e acabou por regressar ao CD Nacional, onde voltou a apresentar um rendimento elevado.⠀⠀Jesús Ramírez está longe de ser um tratado do nível técnico. Não é um ponta de lança com grande capacidade associativa. Contudo, tem excelentes argumentos como homem de área.⠀⠀É muito agressivo no ataque à bola e forte no jogo aéreo. Impõe-se fisicamente perante os adversários e tem instinto matador.⠀⠀18 golos na I Liga é um registo que comprova o sucesso da época de Jesús Ramírez!⠀⠀Abraham Marcus (Estrela da Amadora)⠀⠀Desde que o Estrela da Amadora regressou à I Liga, as épocas têm sido algo semelhantes. ⠀⠀Algumas decisões questionáveis ao nível do planeamento, jogadores de qualidade recrutados e consequentemente valorizados (Sidny Lopes Cabral, Eddy Doué, etc…) e muito sofrimento até ao fim. ⠀⠀Tendo um projeto tão elogiável em termos de scouting, fica a ideia que o Estrela continua a não explorar da melhor forma o seu potencial.Entre outros aspetos, a ausência de convicções claras em relação ao perfil de treinador que pretende acaba por prejudicar a estabilidade e o desenvolvimento do clube.Contudo, no final de contas, os clubes vivem de resultados e a verdade é que o Estrela voltou a garantir o seu objetivo: a permanência na I Liga.⠀⠀Apesar de outros jogadores também terem assumido um papel importante ao longo da época (por exemplo, Renan Ribeiro, Paulo Moreira, Jovane Cabral ou até mesmo Sidny antes de rumar ao Benfica), o meu destaque vai para Abraham Marcus.⠀⠀Independentemente de ser algo errático na definição (último passe e finalização), o nigeriano foi um dos grandes criativos fora do top-4 desta edição da I Liga.⠀⠀Como extremo canhoto, a partir da direita para o meio, foi sempre um dos principais elementos do ataque do Estrela.⠀⠀Com a bola colada ao pé esquerdo, cria desequilíbrios com facilidade, tanto através do drible como do passe. Tem bons recursos técnicos e argumentos em espaços curtos.⠀⠀Tendo em conta que, no mercado de inverno, se falou do interesse de alguns clubes, espera-se que, este verão, o Estrela faça um encaixe financeiro significativo com Marcus Abraham.⠀⠀Gaizka Larrazabal (Casa Pia)Nada de novo. 3.ª época de Gaizka Larrazabal no Casa Pia, 3.ª época na qual o ala direito basco é um dos grandes destaques da equipa lisboeta.⠀⠀⠀A saída de João Pereira e consequente entrada de Álvaro Pacheco não teve impacto na estrutura tática do Casa Pia (manutenção do 3-4-3), o que permitiu que Larrazabal pudesse continuar a apresentar um rendimento muito elevado. ⠀⠀⠀Larrazabal é um ala com o perfil ideal para estes esquemas com 3 centrais. As suas debilidades defensivas são “disfarçadas” e as suas qualidades a nível ofensivo acabam potenciadas.⠀⠀⠀O basco é um autêntico “comboio” no corredor direito. Imprime uma intensidade enorme no seu jogo.⠀⠀⠀É muito forte em momentos de transição (ofensiva e defensiva).⠀⠀Assume-se como uma ameaça constante no ataque à profundidade. ⠀⠀Tem disponibilidade física para garantir constantemente a largura no corredor. ⠀⠀Aparece bem em zonas de finalização. ⠀⠀Sabe associar-se na ala (forma uma parceria interessante com Livolant). ⠀Numa altura em que o Casa Pia continua a lutar pela permanência na I Liga, disputando o play-off com o Torrreense, o futuro de Larrazabal também é uma incógnita.⠀⠀⠀Aos 28 anos, termina contrato com os casapianos em junho e será certamente um nome a ter em conta neste mercado de verão. Representa uma grande oportunidade a “custo zero” para muitos clubes portugueses… Bernardo Fontes (Tondela)Desde muito cedo se percebeu que o Tondela teria uma temporada complicada. Mesmo após alguns ajustes no mercado de janeiro, o plantel tondelense foi sempre um dos mais limitados desta edição do nosso campeonato.⠀⠀O clube beirão ainda procurou contrariar o que se verificou ser o seu destino, trocando de treinador por 2 vezes (primeiro Cristiano Bacci por Ivo Vieira e depois Gonçalo Feio por Cristiano Bacci).⠀⠀Contudo, não teve sucesso.⠀⠀Num cômputo geral, é justo dizer que, se o Tondela lutou até à última jornada pela manutenção na I Liga, em grande parte o deve a Bernardo Fontes.⠀⠀Depois de ter sido o melhor guarda-redes na II Liga, o brasileiro assumiu-se como um dos melhores na primeira!⠀⠀⠀⠀Por estar inserido num coletivo com poucas dinâmicas a construir curto e, regularmente, com a linha defensiva muito recuada, é difícil ter certezas sobre a qualidade no jogo com os pés e na defesa da profundidade de Bernardo Fontes. ⠀⠀Entre os postes, ficou mais do que claro que o guarda-redes brasileiro é um “monstro”! É impressionante os reflexos e e agilidade que tem, tendo em conta a sua altura.É evidente que o contexto coletivo também influencia, mas o facto de acabar o campeonato como o guarda-redes com mais defesas (114) diz muito sobre o que foi o seu rendimento ao longo desta época.⠀⠀Aos 23 anos, Bernardo Fontes está mais do que pronto para dar o salto (o SC Braga tem uma cláusula de recompra)!⠀ Pedro Lima (AFS)⠀⠀O AFS até terminou a época em boa forma, mas não se pode dizer que o último lugar do campeonato não se ajusta ao nível da equipa, tanto do ponto de vista individual como coletivo.⠀⠀Pedro Lima acabou por ser o claro destaque de um plantel muito jovem e abaixo da exigência de uma I Liga.⠀⠀O médio brasileiro, de 23 anos, não é um jogador dependente do coletivo para que as suas melhores características sejam evidenciadas.⠀⠀Não tendo um perfil de organizador, distribuidor e gestor de ritmos, Pedro Lima destaca-se pela capacidade de levar a equipa para a frente através do transporte de bola. ⠀⠀É um jogador talhado para cenários de transição e muito útil para libertar a equipa da pressão adversária.⠀⠀Tem argumentos técnicos para sair de zonas de pressão e é muito forte a queimar metros em condução. ⠀⠀Não sendo brilhante na definição, tem alguma chegada à área. O contexto que encontrou no AFS também não ajudou, mas parece faltar-lhe alguma capacidade associativa em zonas de decisão.⠀⠀Sem bola, o médio formado no Palmeiras deixa algo a desejar. Apesar da sua estatura o ajudar em algumas recuperações e duelos, há margem para aumentar os seus níveis de intensidade e agressividade. ⠀⠀Numa altura em que tanto se fala do interesse do Sporting, será interessante ver como encaixa num coletivo com mais responsabilidades e dinâmicas em posse.