O “formato e o calendário” nas negociações entre os socialistas e o Governo está por definir, mas tudo indica, segundo as fontes contactadas pelo DN, que só na “próxima semana” é que poderá ficar definido. Até lá, o PS não vai enviar propostas, porque “não foi isso que ficou combinado nem entendido, nem subentendido”. E só nessa reunião é que “serão apresentadas propostas, sugestões ou haverá uma discussão substantiva sobre a matéria do Orçamento”..As explicações de Alexandra Leitão, líder parlamentar, em particular os três cenários - “propostas”, “sugestões” ou “discussão” -, têm uma explicação. O PS, apurou o DN, “ainda está a analisar os dados entregues pelo Governo para perceber a margem que existe” e, além disso, “quer perceber que tipo de propostas [do Governo] é que estão no Orçamento do Estado, qual é a dinâmica do Orçamento”..Só esse conhecimento, que publicamente nunca foi solicitado ao Governo, é que permitirá aos socialistas, sustenta fonte do PS, a possibilidade de “perceber a folga, que eventualmente exista, para apresentarmos projetos”. Quando? “Talvez no final da próxima semana haja algo de mais concreto.”.“Ainda não chegámos à fase das propostas. Estamos a olhar bem para os dados [que foram entregues pelo Governo]. Uma análise profunda para que depois possamos avaliar onde devemos incidir”, esclarece fonte socialista..O que parece garantido é o cuidado do PS em “não mexer na salvaguarda” dos 500 milhões, “na reserva” para que, justifica outra fonte do partido, “o equilíbrio orçamental” não seja “beliscado”..Sem “propostas” ou “sugestões” já delineadas, há “duas linhas importantes” para o Partido Socialista: “A salvaguarda dos rendimentos das pessoas, dos mais desfavorecidos, e a economia, o desenvolvimento.”.O que significa - é esta a tradução - que o PS, seguindo “as linhas mestras do seu Programa de Governo”, acolherá medidas “calibradas” do Governo que “não [estejam] muito distantes do que defendemos”..A dúvida, depois de o PS já ter visto aprovadas cinco iniciativas legislativas - redução do IVA na eletricidade, eliminação de portagens das ex-Scut, exclusão de rendimentos de filhos como condição para acesso ao Complemento Solidário para Idosos, aumento da despesa dedutível em IRS com arrendamento até atingir os 800 euros e o alargamento do apoio ao alojamento estudantil - reside na margem “atual” da argumentação política, considera fonte do PSD, das últimas exigências já feitas pelo PS..A primeira, a informação nomeadamente sobre o cenário macroeconómico, já foi entregue pelo Governo; a segunda, a recusa do IRS Jovem tal como está, já obteve abertura para que a medida seja “modelada” por parte, por exemplo, do líder parlamentar do PSD. Resta a terceira: a descida do IRC. E aqui surge um argumento que pode “atenuar” dificuldades nas negociações entre PS e Governo: o facto de o impacto orçamental só se verificar em 2026 - daí que a medida não esteja sequer contemplada na estimativa do saldo orçamental..A recusa de regimes fiscais “profundamente injustos, ineficazes e injustificáveis do ponto de vista orçamental”, argumento de Pedro Nuno Santos para inviabilizar o OE2025, está “assim diluída”, assegura fonte do PSD..O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, fez questão de lembrar esta quarta-feira que “todos os partidos [já] apresentaram alguns contributos e ideias, exceto o Partido Socialista”..“Respeitamos a sua opção, mas estamos à espera. A bola, por isso, está do lado do Partido Socialista e quando passar o prazo - que não passou -, quando passar o tempo que o PS pediu, a pausa que o PS pediu, o Governo espera poder receber, e contactará para receber, para saber o que é que vem dessa bola que o PS agora tem nas suas mãos”, afirmou..O desafio do ministro já teve resposta. A “bola do PS” ainda não terá propostas para entregar ao Governo “quando passar o tempo” de 48 horas pedido..“Talvez no final da próxima semana”, como referiu ao DN fonte socialista, e talvez “propostas”, “sugestões” ou uma “discussão substantiva sobre a matéria do Orçamento”, como disse Alexandra Leitão..Luís Montenegro, que não desalinhou na retórica das metáforas dos seus ministros -“A bola está no lado do PS” -, pediu “que todos estejam a remar para o mesmo lado, que todos estejam a pedalar para a mesma meta”..“Um Orçamento aprovado é evitar a todo custo que haja instabilidade política”, disse, reproduzindo o argumento mais repetido por Marcelo Rebelo de Sousa.