Sem mãos... e com dentes

Em sete escolas básicas de Lisboa aprender a andar de bicicleta faz parte do currículo. A Escola Clube de Ciclismo de Lisboa Coelhinhos desenvolve um projeto inclusivo que, em seis horas, deixa os mais pequenos a dominar as artes da bicicleta, incluindo indicar mudanças de direção sem ganhar buracos no sorriso.

Ufana na sua camisola cor-de-rosa, Bruna pedala afincadamente pelo recreio da Escola Homero Serpa, no Casalinho da Ajuda. Equipada com capacete e luvas, avança compenetrada, seguida de perto por Mário. «Trava! Trava! Trava! Com os pés, não!...» O alerta chega demasiado tarde - os pés de ambas as crianças já estão firmemente poisados no chão, como forma de reduzir a velocidade e parar. Afinal, pode não parecer, mas ainda há três dias não sabiam andar de bicicleta e tudo o que não seja avançar em linha reta é ainda um desafio.

Do outro lado do recreio, um grupo de alunos divide-se em duas equipas. Objetivo: andar o mais devagar possível. O primeiro a terminar o percurso e/ou a pôr os pés no chão, perde. Concentrada, Raíssa não esconde um pequeno sorriso de orgulho quando elimina o elemento da equipa adversária - para mais, é o irmão!

A EB1 Homero Serpa é uma das sete escolas lisboetas que incluem, desde há dois anos, o programa de ciclismo curricular desenvolvido pela Escola Clube de Ciclismo de Lisboa Coelhinhos. Com aulas de hora e meia, num total de seis horas por turma, cerca de 1100 alunos aprendem a andar de bicicleta dentro do horário escolar, com taxas de sucesso que atingem os oitenta por cento. Bruno Vicente e Diogo Henriques são os dois professores presentes. «Temos aqui miúdos com uma capacidade incrível de aprender, muito motivados», diz Bruno, que ficou com o grupo de iniciados. Objetivo para do dia: treinar a destreza, iniciá-los nas curvas apertadas e incentivá-los a tirar as mãos do guiador. Diogo, com o grupo mais avançado, pretende aperfeiçoar as diferentes técnicas que, mais tarde, lhes permitirão andar na estrada em segurança - o exercício que os fez andar o mais lentamente possível, por exemplo, pretende preparar os futuros ciclistas a andar pelo meio de trânsito parado.

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