Xi Jinping garante futuro brilhante para Hong Kong

Na primeira visita ao território enquanto presidente, Xi dará posse à nova chefe do executivo. Vigília pediu libertação de Liu Xiaobo.

O presidente Xi Jinping chegou ontem a Hong Kong numa visita ao território devolvido à China a 1 de julho de 1997 pela Grã-Bretanha, ao abrigo da fórmula "um país, dois sistemas", para assinalar os 20 anos do acontecimento que se cumprem amanhã.

Naquela que é a sua primeira presença no território enquanto dirigente máximo da República Popular da China (RPC), posição a que ascendeu em 2013, Xi garantiu, à chegada ao aeroporto, que Hong Kong terá um futuro "brilhante" e que a fórmula "um país, dois sistemas" continuará em vigor. "É nossa disposição, com os diferentes setores da sociedade de Hong Kong, avaliar o curso específico dos últimos 20 anos, tirar conclusões desta experiência, olhar o futuro" e garantir que a fórmula vigente continuação. Pequim tem afirmado desde 1997 que a liberdade de expressão e o sistema capitalista não serão "afetados, pelo menos, por meio século, ou seja, até 2047, mas sem nunca ter explicado o que pode suceder após esta data.

A visita de Xi prolonga-se por três dias, dando hoje posse à nova chefe do executivo local, Carrie Lam, e assistindo às cerimónias que assinalam as duas décadas de transferência de soberania. Pouco antes da chegada do presidente, as autoridades prenderam alguns ativistas pró-democracia, o que não impediu a realização de uma vigília em que se pediu a libertação de Liu Xiaobo, Nobel da Paz em 2010 pela sua ação em prol da democracia na China. Liu está desde o início da semana em liberdade condicional desde o início da semana para ser tratado a um cancro em fase terminal.

Promessas de Pequim

Até hoje, todos os dirigentes da RPC que se têm deslocado ao território, afirmam que as características específicas da cidade serão preservadas, mantendo o seu desenvolvimento e prosperidade. Mas, na prática, tem-se assistido a várias ações de intimidação e repressão de movimentos a pedir mais democracia nos últimos anos. O caso mais relevante sucedeu em 2014 com o chamado "movimento dos chapéus de chuva", entre setembro e dezembro daquele ano, em que se exigia o fim da aprovação de candidatos por Pequim para a chefia do executivo do território o Conselho Legislativo. As autoridades de Pequim justificaram então a decisão com o argumento de que possuíam "total jurisdição" sobre Hong Kong e que este cairia no "caos", se as reivindicações dos ativistas pró-democracia tivessem seguimento.

No ano seguinte, 2015, foram raptadas cinco editores independentes que publicavam obras críticas do regime da RPC e seus líderes. Dos cinco editores alguns foram raptados no território enquanto outros o foram em viagem na China continental ou em férias na Tailândia. O seu destino permaneceu desconhecido durante meses até ser revelado estarem sob detenção das autoridades chinesas e de serem investigados por "subversão".

Mais recentemente, no final de 2016, dois deputados pró-democracia no Conselho Legislativo (Parlamento do território) viram a sua eleição anulada por Pequim, sob pretexto de terem proferido a fórmula de tomada de posse de forma incorreta.

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