União Europeia: "Retomar as viagens e o descofinamento não é livre de riscos"

A comissária europeia da Saúde defende condições "apertadas", para a reabertura de fronteiras, para salvaguardar situação sanitária.

A falar esta tarde na apresentação das recomendações europeias para o levantamento das restrições aos viajantes, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides salientou a importância dos Estados-Membros da União Europeia garantirem um conjunto de condições, para minimizar o risco de infeção. Mas deixou um alerta.

"Temos de ter presente que retomar as viagens entre fronteiras internacionais e o descofinamento não é livre de riscos", afirmou a comissária, defendendo que entre as autoridades europeias "temos de ter abertura e honestidade quanto isto".

Quarentenas para viajantes?

Para reduzir esse grau de risco, Bruxelas apresentou um conjunto de medidas que "cada um deve ter em conta e que cada Estado tem de ter em conta, quando voltar a abrir portas ao turismo e os cidadãos precisam de estar a par disso".

"Admitindo que dois Estados-Membros têm em prática uma monitorização epidemiológica muito apertada, que têm um sistema de saúde [para nacionais e para os turistas], boa vigilância, capacidade de testes, aplicações de rastreio de contactos, possivelmente.... Se os Estados-Membros souberem que os outros países também têm estas medidas em prática, então não seria necessário ter quarentenas", defendeu Stella Kyriakides. "Isso quer dizer que o nível de transmissão é suficientemente baixo nos dois países, ao ponto de as viagens entre ambos não aumentar necessariamente o risco de contágio, assumindo que os países têm em prática todas as outras medidas que já conhecemos agora, como o distanciamento físico, higiene das mãos, ética respiratória. Tudo terá de estar em prática. Não é apenas atravessar a fronteira para outro país", salientou.

Bruxelas recomenda que "à medida que os Estados-Membros vão conseguindo reduzir a disseminação do vírus, as restrições generalizadas à livre circulação sejam substituídas por medidas mais específicas", nomeadamente, o levantamento das restrições entre zonas ou Estados-Membros "com situações epidemiológicas suficientemente idênticas", com uma abordagem é assente em "três critérios". A saber:

- situação epidemiológica, nomeadamente centrando a sua ação em zonas onde a situação esteja a melhorar, com base nas orientações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e utilizando o mapa regional desenvolvido pelo ECDC;

- a capacidade para aplicar medidas de confinamento durante toda a viagem, incluindo nos pontos de passagem fronteiriços, incluindo salvaguardas e medidas adicionais quando o distanciamento físico seja difícil de garantir;

- considerações económicas e sociais, dando inicialmente prioridade à circulação transfronteiras em áreas de atividade essenciais e por razões pessoais.

"Os viajantes e os trabalhadores precisam de saber que os lugares das visitas turística são seguros. Hotéis, restaurantes, praias, outros locais turísticos, precisam de ser operados de uma forma que minimize o risco de transmissão do coronavírus", frisou a comissária.

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