Um homem, sete minutos, 49 mortos. Tarrant será o único atirador

O australiano esteve hoje em tribunal. Ouviu em silêncio a única acusação: de homicídio. Tinha licença de porte de armas e terá sido o único a disparar

A polícia neozelandesa confirmou hoje que Brenton Tarrant, de 28 anos, é o principal suspeito do homicídio de 49 pessoas nos tiroteios em duas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, esta sexta-feira. O australiano, descrito como um "terrorista violento de extrema-direita", esteve este sábado em tribunal onde foi acusado de homicídio. Nos próximos dias, será acusado de outros crimes, mas as autoridades não revelaram quais.

De camisa branca e algemas nos pulsos, Tarrant permaneceu em silêncio durante a rápida audiência em Christchurch, a cidade onde aconteceu o ataque. Fica detido, sem possibilidade de fiança, e voltará a tribunal a 5 de abril.

Um outro homem foi preso na sexta-feira por estar na posse de uma arma de fogo - tentava chegar a casa porque as ruas da cidade estavam bloqueadas - e foi libertado no mesmo dia sem qualquer acusação.

A polícia também prendeu um casal durante um dos bloqueios na estrada. O homem e a mulher não têm antecedentes criminais, mas as autoridades continuam a investigar a possibilidade de estarem ligados ao ataque e a Brenton Tarrant. Vão continuar detidos preventivamente.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Arderm, confirmou que o atirador tinha licença de arma de fogo e que possuía cinco armas - todas elas legais. O ataque terrorista está a obrigar o país a repensar a legislação sobre posse de armas.

Tarrant não fazia parte de nenhuma lista de suspeitos ligados ao terrorismo - apesar de ter admitido, no manifesto de 74 páginas que partilhou nas redes sociais (e enviou para o Governo e comunicação social) - que planeara o ataque durante dois anos. As autoridades da Austrália e da Nova Zelândia estão a tentar esclarecer como é que Tarrant nunca foi considerado suspeito de atividade terrorista.

Em sete minutos matou 49 pessoas e queria continuar a matar

Na conferência de imprensa deste sábado, a primeira-ministra usou um lenço na cabeça - em respeito pela cultura muçulmana - e confirmou que Tarrant tinha obtido uma licença de porte de arma em novembro de 2017, e que terá sido esse documento que lhe permitiu comprar as armas usadas no ataque.

As armas usadas pelo atirador poderiam ter sido alteradas, revelou também Ardem, acrescentando que o carro onde o terrorista se fez transportar estava "carregado de armas" e munições. As autoridades acreditam que a intenção de Tarrant era "continuar o seu ataque".

O procurador-geral da Nova Zelândia, David Parker, já revelou que o governo vai tentar proibir armas semiautomáticas, mas ainda não há nenhuma decisão tomada. A Nova Zelândia é um país onde existe um poderoso lobby de armas e uma poderosa cultura de caça e leis anteriores que tentaram alterar a legislação nesta matéria falharam.

Tudo indica que Brenton Tarrant será mesmo o único autor dos tiroteios nas duas mesquitas. Terá viajado entre as duas e morto 49 pessoas em apenas sete minutos. Desde a primeira chamada para os serviços de emergência até ter sido detido - por dois agentes da polícia - passaram apenas 36 minutos.

O comissário de polícia Mike Bush disse que Tarrant será o responsável por ambos os ataques e que resistiu à detenção - foi arrastado para a viatura policial.

Segundo o Guardian, 39 pessoas continuam internadas no hospital de Christchurch - 11 em estado grave. Uma criança de quatro anos em estado grave foi transferida para o hospital pediátrico de Starship , em Auckland.

O cirurgião-chefe do hospital de Christchurch, Greg Robertson, revelou que muitas das vítimas irão precisar de múltiplas cirurgias.

A primeira-ministra neozelandesa encontrou-se hoje com os familiares das vítimas do ataque terrorista e disse que as autoridades estão a trabalhar para garantir que os corpos são rapidamente identificados e libertados para que possam ser repatriados e possam ter os funerais de acordo com a sua fé.

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