Após ataque terrorista, primeira-ministra quer mudar lei das armas

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, prometeu no sábado reformar as leis das armas do país, um dia depois de pelo menos um terrorista ter atacado fiéis em duas mesquitas, tendo matado 49 pessoas e ferido 42. Entre os feridos, há dois em estado grave e um deles é uma criança de quatro anos.

Ardern disse que o principal suspeito usou cinco armas durante a matança, incluindo duas armas semi-automáticas e duas espingardas, para as quais estava legalmente licenciado. "Posso dizer uma coisa agora mesmo, as nossas leis das armas vão mudar", disse Ardern aos jornalistas numa segunda conferência de imprensa.

"Houve tentativas de mudar as leis em 2005, em 2012 e no seguimento de um inquérito em 2017. Agora é a altura para mudar", concluiu

O assassino transmitiu imagens do ataque a uma das mesquitas da cidade de Christchurch nas redes sociais. Um "manifesto" também foi publicado online, denunciando imigrantes como "invasores". As imagens de vídeo, publicadas ao vivo na internet enquanto o ataque se desenrolava, mostravam um homem a entrar na mesquita e a disparar aleatoriamente contra as pessoas que estavam lá dentro.

"O que aconteceu em Christchurch é um acto extraordinário de violência sem precedentes. Não tem lugar na Nova Zelândia. Muitos dos atingidos serão membros de nossas comunidades migratórias - a Nova Zelândia é a sua casa - eles são nós", foi a primeira reação da primeira-ministra neozelandesa.

O ataque foi o pior assassínio em massa em tempo de paz na Nova Zelândia e o país elevou o nível de ameaça à segurança para o mais alto.
Polícias armados foram colocados em vários locais em todas as cidades, o que é incomum num país onde os níveis de violência armada são baixos.

A polícia disse que três pessoas foram detidas, incluindo um homem de 20 e poucos anos, acusado de homicídio. Ele vai comparecer no tribunal no sábado. A polícia não identificou os suspeitos.
" As nossas investigações estão nas suas fases iniciais e vamos estar atentos para construir uma imagem de todos os indivíduos envolvidos e de todas as suas actividades antes deste terrível evento", disse o comissário da Polícia Mike Bush.

O homem acusado do massacre é um cidadão australiano que passou muito tempo no estrangeiro e só esporadicamente na Nova Zelândia, disse Ardern.

Nenhum dos presos tinha antecedentes criminais ou estava em qualquer lista das autoridades na Nova Zelândia ou na Austrália.

Dezenas de pessoas colocaram flores em cordões perto de ambas as mesquitas na cidade que ainda está em reconstrução após um terramoto devastador em 2011 que matou quase 200 pessoas.

Líderes de todo o mundo exprimiram a sua tristeza e condenação pelos ataques terroristas.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?