"Um homem pelo chão, sangue e cartuchos de balas": o cenário em Estrasburgo

Um homem disparou no mercado de Natal da cidade francesa, matando pelo menos três pessoas. Há ainda 13 feridos, nove deles em estado grave.

"Um homem pelo chão, sangue e cartuchos de balas." Foi isso que Mouad viu ao sair do seu restaurante no centro de Estrasburgo, após o tiroteio de terça-feira à noite no mercado de Natal.

Quando começou o tiroteio, levou todos os clientes para o interior, para uma cave, para ficarem em segurança. Alguns disseram que tinham visto "alguém com uma arma" a correr, disse à agência AFP.

Noutro restaurante, Michele contou como o dono levou também toda a gente para o fundo da sala. "Apagámos todas as luzes", referiu, indicando que o proprietário parecia estar a seguir instruções para o que fazer num caso de ataque.

Fatih explicou que estava na praça Kléber quando começou o tiroteio. "Ouvi tiros e houve pânico, corremos em todas as direções", disse, indicando que na fuga viu pelo menos três feridos no chão. A polícia apareceu de imediato, com escudos, e a gritar "saia, saia", enquanto procuravam o autor dos disparos.

Em poucos minutos, as autoridades evacuaram o mercado de natal de Estrasburgo.

Amir saiu do trabalho e não estava ciente do que estava a acontecer. Tenta seguir de bicicleta por uma avenida, mas é travado ao fim de alguns segundos: "Mãos no ar, pare, pare", disse-lhe um polícia, obrigando-o a voltar para trás, contou ao Le Monde.

Esta quarta-feira de manhã, a cidade parecia quase deserta. "Saímos com um aperto no estômago para trabalhar esta manhã, porque estamos no centro da cidade, não sabemos o que vai acontecer", disse à AFP Cathia, uma parteira que vive em Erstein e trabalha no centro.

Antoine, estudante de Medicina de 20 anos, dizia ter dificuldades em acreditar que aconteceu. "Não conseguimos imaginar uma tal violência ao lado de lugares que frequentamos todos os dias. É difícil imaginar o que aconteceu, porque nunca vivemos isso. É uma primeira vez em Estrasburgo, uma cidade bastante pacífica", acrescentou à AFP.