Trump: "Eu mereço conhecer a pessoa que me está a acusar"

O presidente dos Estados Unidos continua a dizer que quer conhecer a identidade do responsável pela denuncia de uma chamada de Trump com o homólogo ucraniano, onde o primeiro pede uma investigação às atividades empresariais do filho de um adversário democrata, candidato às eleições de 2020.

"Eu mereço conhecer a pessoa que me está a acusar", disse o presidente dos Estados Unidos. Donald Trump referia-se ao responsável pela denúncia anónima, que o acusa de pressionar o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, a investigar as atividades empresariais do filho de um adversário democrata, candidato na corrida à Casa Branca em 2020. O relatório levou à apresentação de um processo de destituição no Congresso, anunciado pelo Partido Democrata.

"Tal como qualquer americano, eu mereço conhecer a pessoa que me está a acusar, que representou uma conversa perfeita com um líder estrangeiro de forma incorreta e fraudulenta", escreveu o presidente no Twitter.

Momentos antes, o representante democrata que vai dirigir os trabalhos da audiência como presidente do Comité dos Serviços Secretos da Câmara, Adam Schiff, confirmava a existência de um acordo provisório para que o denunciante testemunhe perante o comité, de acordo com a CNN. Na semana passada, Schiff disse que o relatório do denunciante foi bem escrito, e classificou o conteúdo de "profundamente perturbador" e "credível".

"As mentiras dele [Adam Schiff] foram feitas da forma mais flagrante e sinistra já vista na Câmara. Escreveu e leu coisas terríveis, que colocou na boca do presidente dos Estados Unidos. Quero que Schiff seja interrogado ao mais alto nível por fraude e traição", declarou Trump, este domingo.

Trump tem dito que não está preocupado com o rumo do processo e que este se trata de uma manobra dos democratas para o destituir. No entanto, conhecer a identidade do denunciante surge como uma prioridade para o chefe de estado.

No sábado, os advogados do denunciante enviaram uma carta ao diretor interino dos serviços de informações norte-americanos, Joseph Maguire, a manifestar a sua preocupação em relação à segurança do seu cliente à medida que o presidente dos EUA reforça a vontade de conhecer o nome da pessoa responsável pela acusação.

Democratas pedem a destituição de Trump

Acredita-se que o relatório do denunciante inclua o relato do telefonema de 25 de julho entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, no qual o presidente dos EUA disse ao homólogo para investigar o ex-vice-presidente e candidato às eleições de 2020 Joe Biden. Essa investigação seria feita em coordenação com o procurador-geral dos EUA, Bill Barr, e o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.

A chamada ocorreu após Trump ter retido quase 400 milhões de dólares de ajuda à Ucrânia, que a administração só mais tarde libertou.

A administração Trump disponibilizou a versão oficial da chamada de meia hora na quarta-feira, um dia depois da líder da maioria Democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, ter anunciado que a Câmara de maioria democrata iria lançar o inquérito oficial para a destituição.

No mesmo dia, o chefe de estado da Ucrânia reuniu-se com o homólogo norte-americano e, depois do encontro, em declarações aos jornalistas, Zelensky considerou como "normal" a conversa telefónica que teve com o presidente dos Estados Unidos. "Ninguém me pressionou", declarou.

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