Sena a subir obriga o Louvre a tirar 250 mil peças das caves

Chuvas torrenciais causam inundações em França e na Baviera, na Alemanha. Há pelo menos dez mortos nos dois países. Presidente Hollande declara situação de "catástrofe natural"

Instalado junto ao Sena, que já subiu mais de cinco metros e galgou as margens, depois de vários dias de chuvas diluvianas, o Museu do Louvre está hoje de portas fechadas para que as mais de 250 mil peças do acervo depositado nas caves possam ser transportadas de urgência para os andares de cima e postas a salvo de uma potencial inundação. O pico da cheia, que está previsto para hoje à tarde, pode atingir os seis metros, e a situação ainda pode agravar-se, porque a chuva só vai abrandar na próxima semana.

A França e a Alemanha registaram nos últimos dias recordes de precipitação e estão a braços com cheias devastadoras, que já fizeram pelo menos dez mortos nos dois países - uma pessoa morreu em França, e nove na região da Baviera, na Alemanha.

Na zona de Paris, milhares de pessoas tiveram de ser evacuadas devido às cheias, as estações de metro junto ao Sena encerraram, e no Louvre, cujas caves estão em zona inundável se a subida das águas atingir os seis metros, soaram todos os alarmes. Mudar de sítio um quarto de milhão de obras de arte é uma tarefa colossal, que está a ser feita em contrarrelógio, mas a decisão teve de ser tomada de emergência pelos responsáveis do museu, face às sombrias previsões da meteorologia, que estimavam um agravamento da intempérie para a noite e a madrugada.

Inundações agravam-se

O pico das cheias no rio está previsto para esta tarde e se chegar aos seis metros as águas poderão entrar tam- bém nos túneis do metropolitano. O recorde de subida do rio que atravessa a capital francesa foi registado em 1910 e chegou aos 8,6 metros.

No lado oposto do rio, o Museu d"Orsay, que às quintas-feiras faz horário noturno, também encerrou ontem às 18.00.

Face à situação, o presidente François Hollande, que na frente política também não tem tido dias fáceis, por causa das greves e dos protestos contra a sua nova lei do trabalho, declarou o estado de "catástrofe natural", que vai abranger as regiões do centro do país, incluindo a de Paris, as mais afetadas pelas intempéries.

Nos últimos dias as chuvas intensas que fustigaram a França e a Alemanha bateram recordes. Segundo o instituto de meteorologia francês, a região de Paris registou neste mês de maio o maior nível de precipitação desde 1960, e as previsões não auguram melhoras tão cedo.

Em França, em poucos dias, choveu o equivalente à precipitação de um mês para esta época do ano e desde segunda-feira que se registam incidentes e acidentes relacionados com as cheias.

Na quarta-feira, uma mulher de 86 anos foi encontrada morta na sua casa inundada em Souppes-sur--Loing, a cerca de 130 quilómetros da capital francesa, embora a autarquia tenha adiantado que não ficou provado que a morte tenha sido causada pela cheia.

Na Alemanha os custos humanos são ainda mais pesados, com nove mortos confirmados causados pelas inundações que assolam sobretudo a região da Baviera. Ali, os danos materiais elevam-se também a muitos milhões de euros, segundo as autoridades locais.

Nas regiões afetadas nos dois países, equipas de socorro estão desde há vários dias no terreno para socorrer as pessoas apanhadas pelas inundações e resgatá-las das suas casas, usando embarcações.

"O que é muito invulgar é a quantidade de precipitação", afirmou o meteorologista francês Corentin Fourneau, citado pela Euronews. Segundo o especialista, a chuva vai continuar durante o fim de semana, e as condições meteorológicas só deverão melhorar durante a próxima semana.

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