Quem é o médico de Trump acusado de se deixar manipular pelo presidente

Tem 40 anos, é especializado em osteopatia e esteve em missão no Afeganistão. Em 2018 foi designado médico do líder dos EUA e desde então tem sido acusado de só transmitir o que Trump quer.

Sean P. Conley, 40 anos, saiu definitivamente do anonimato no passado sábado, quando em frente ao hospital militar de Walter Reed anunciou ao mundo o primeiro boletim clínico sobre o estado de saúde de Donald Trump, que foi internado na sexta-feira à noite infetado com covid-19.

"O presidente está muito bem", disse aos microfones, apesar de horas depois ter sido contrariado por Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, que revelou que afinal havia motivos para preocupação com a saúde do líder dos EUA.

Sean Conley nasceu em 1980 na Pensilvânia e é soldado (a contratação de clínicos do Exército por parte da Casa Branca tem sido uma tradição desde a Guerra Civil dos EUA). E sobretudo nos últimos dias está debaixo de suspeita por se deixar manipular pelo paciente, neste caso o presidente dos Estados Unidos, transmitindo apenas a informação que Trump quer.

Depois de se ter licenciado em 2002 pela Universidade de Notre Dame, em South Bend, Indiana, tirou uma especialização em osteopatia numa faculdade de Filadélfia. Entrou entretanto para o Exército e esteve em campo no Afeganistão, como médico dos soldados da NATO.

A sua forma destemida e os cuidados com que tratou os soldados romenos que foram alvo de uma emboscada valeram-lhe mesmo uma homenagem da parte do Governo romeno. Quando regressou aos Estados Unidos, foi recrutado para a equipa médica presidencial da Casa Branca, que o próprio lidera desde março de 2018.

Não é fácil para ninguém lidar com Donald Trump. E Conley não será exceção. Por isso, a imprensa norte-americana tem insinuado que o médico tem sido condescendente (e até manipulado) com o presidente dos EUA. E não foi só agora por lhe ter dado alta apenas três dias depois de ter dado entrada no hospital infetado com covid-19.

Há uns meses, por exemplo, cedeu perante Trump e receitou-lhe hidroxicloroquina, um tratamento para a malária que alguns, entre eles o líder dos EUA, considera benéfico para tratar a covid-19, embora não existam provas científicas que o suportem. Certo é que, agora que Trump foi internado, esta substância não fazia parte do cocktail de anticorpos no tratamento que lhe foi ministrado, à base de regeneron, remdesivir e esteroides.

Trump é um líder muito exigente e, aos 74 anos, vive obcecado com a sua saúde e em transmitir para o exterior uma imagem de um governante saudável. Por isso há quem diga que ele próprio interfere nos boletins médicos.

Em fevereiro de 2019, por exemplo, Conley emitiu um comunicado no qual afirmava que Trump estava em excelente forma, e que se arriscava a dizer que o líder dos EUA assim estaria para o resto da sua presidência e ainda mais além, num exercício de futurologia que muitos desconfiaram ter sido feito a pedido do próprio Donald Trump.

Em novembro do mesmo ano, quando Trump deu entrada num hospital, supostamente devido a dores no peito, segundo avançaram algumas fontes, Conley emitiu um comunicado a negar qualquer problema, garantindo que se tratava de uma visita de rotina para realizar um check-up.

Nos últimos dias, quando surge em público para falar da saúde do presidente norte-americano, tem sido confrontado com perguntas mais complicadas da parte dos jornalistas, como os medicamentos que Trump está a tomar, até onde baixou o nível de oxigénio no sangue, se Trump tem apresentado efeitos adversos ao tratamento. Mas a resposta tem sido quase sempre a mesma: "Não posso dar mais pormenores."

Por isso muitos se interrogam sobre os motivos que levaram Conley a dar alta ao presidente dos EUA apenas com três dias de internamento, tendo em conta a idade, o peso, sobretudo quando comparado com outros pacientes com as mesmas características. Há poucas dúvidas, de acordo com a imprensa norte-americana, de que Trump terá pressionado a equipa médica para voltar à Casa Branca em vésperas de eleições. Será Sean Conley um médico dominado pelo poder de Trump?

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