Sánchez admite que investidura será "difícil". Rajoy quer rapidez

Líder do PSOE quer explicar ao ainda primeiro-ministro porque não quer um acordo com o PP. Convite vai ser aceite e será usado para lembrar ao socialista quem ganhou as eleições

Quando, na terça-feira, foi nomeado por Felipe VI como candidato ao debate de investidura, Pedro Sánchez já sabia que tinha uma tarefa árdua, tanto que pediu ao rei um prazo de três semanas a um mês para poder negociar um acordo de governo. Ontem, e já depois de ter terminado os primeiros encontros com os líderes de todos os partidos com os quais está disposto a um entendimento para conseguir os votos de que precisa, o secretário-geral do PSOE admitiu que "a situação é complexa, difícil". Fora da lista de potenciais aliados está Mariano Rajoy, que ontem pediu ao socialista que resolva a situação o mais depressa possível, pois o governo não pode estar "indefinidamente em funções".

O balanço dos quatro dias de encontros foi feito ontem por Pedro Sánchez após uma reunião com Andoni Ortuzar, o líder do Partido Nacionalista Basco (PNV), força que conquistou seis deputados nas eleições de 20 de dezembro. "O diálogo tem sido positivo e é verdade que a situação é complexa, difícil, porque é preciso colocar muitas partes de acordo, mas há elementos, dentro da complexidade, para construir uma alternativa progressista", declarou o socialista.

Os seis eleitos do PNV são de grande importância para que o PSOE (90 deputados) consiga uma maioria parlamentar (pelo menos 176), seja com o voto a favor dos bascos ou com a sua abstenção. No encontro de ontem, Sánchez ficou, para já, com uma garantia de Ortuzar: "Não iremos impor condições impossíveis", nem ameaças de vetos, nem linhas vermelhas. Mas, nos cerca de 90 minutos do encontro, Ortuzar também deixou claro que o apoio a Sánchez dependerá do facto de os acordos a que o PSOE chegar com outros partidos "não colidirem com a agenda basca". E recordou que o PNV é "tão nacionalista agora como era quando negociou e apoiou a investidura de José María Aznar em 1996".

Nesta semana todos os partidos que se reuniram com Pedro Sánchez, e com os quais quer negociar o apoio à sua investidura, irão receber a proposta de governo do PSOE. De fora desta lista estão o PP de Mariano Rajoy, bem como a ERC e a Democracia e Liberdade, duas forças nacionalistas da Catalunha. Segundo o El País, o secretário-geral do PSOE tenciona encontrar-se nesta semana com os líderes destes três partidos e explicar-lhes pessoalmente porque não conta com eles.

Entre os desafios do socialista está o facto de o Ciudadanos (40 deputados) querer que o PP entre nas contas do PSOE, mas também a questão de o Podemos (69 eleitos) pedir que o Ciudadanos fique fora de uma aliança. E Sánchez quer contar com estas duas forças políticas para garantir uma vitória no debate de investidura.

Sensatez e senso comum

Mariano Rajoy, depois de ter recusado um convite de Felipe VI para se apresentar ao debate de investidura, pressiona agora Pedro Sánchez, dizendo que o socialista tem de se decidir sobre as alianças que pretende fazer, pois o seu governo não pode continuar em funções durante muito mais tempo.

"É urgente, não podemos estar indefinidamente em funções", disse ontem o ainda primeiro-ministro. "Este atraso dá-se porque o PSOE não é capaz de decidir se quer o governo com o PP ou com o senhor Iglesias", prosseguiu.

E os ataques ao secretário-geral socialista prosseguiram, com Rajoy a dizer que Sánchez "não pode continuar indefinidamente a perder tempo com rodeios e manobras de distração".

Ao mesmo tempo, o líder do PP (123 deputados) continua a mostrar-se disponível para um acordo governamental com o PSOE, em conjunto com o Ciudadanos, para levar a cabo reformas necessárias a Espanha.

Sobre o possível pedido de reunião de Pedro Sánchez, Mariano Rajoy deixou antever que deverá aceitar e dissipou as dúvidas sobre qual será a sua postura. "Vamos dizer-lhe que foi o PP que ganhou, que ele tem 90 deputados, que em Madrid, o seu círculo eleitoral, foi quarto, que numa democracia é preciso respeitar a vontade dos cidadãos, que 123 é mais do que 90, é bom recordá-lo, que vamos votar não à sua investidura, e que seria bom entrar num caminho de sensatez e de senso comum", afirmou.