Rússia acusa EUA de tornar "o mundo mais perigoso"

Kremlin diz que Moscovo terá que responder à letra caso Washington comece a desenvolver novos mísseis após anúncio de que vão abandonar o acordo de não-proliferação nuclear.

O Kremlin avisou que a Rússia será obrigada a responder à letra caso os EUA comecem a desenvolver novos mísseis após terem abandonado o acordo de não-proliferação nuclear, assinado inicialmente em 1987 e alargado em 2010, que deveria vigorar até 2021.

"Esta é uma questão de segurança estratégica. Tais medidas podem tornar o mundo mais perigoso", reagiu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao anúncio feito no fim de semana pelo presidente norte-americano, Donald Trump, da retirada do acordo, acusando a Rússia de o ter violado. Algo que Moscovo rejeita.

O acordo, assinado pelo então presidente norte-americano Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, em 1987, implicava a eliminação por parte de ambos os países dos mísseis nucleares e convencionais de curto e médio alcance. Abandonar o acordo poderá implicar uma corrida às armas.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem dito repetidamente que a saída do acordo iria forçar a Rússia a tomar as medidas necessárias para proteger a própria segurança, lembrou Peskov.

"Significa que os EUA não estão a disfarçar, mas estão abertamente a começar a desenvolver esses sistemas no futuro, e se esses sistemas estão a ser desenvolvidos, então ações de outros países, neste caso a Rússia, serão necessárias para restaurar o equilíbrio nesta esfera", disse o porta-voz do Kremlin, acrescentando que a Rússia "nunca vai atacar primeiro".

Peskov indicou ainda que existe um período de seis meses para a saída do acordo, a contar desde a notificação oficial, que ainda não foi feita. Isso significa que a questão de a Rússia desenvolver os seus próprios mísseis de médio alcance, algo que Washington acusa Moscovo de já estar a fazer, não é algo "para hoje ou para amanhã".

O conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, vai reunir-se esta tarde com vários responsáveis russos em Moscovo, estando previsto que se encontre amanhã, terça-feira, com o próprio Putin. A saída do acordo de não-proliferação será um dos temas em debate, sendo que Bolton terá sido um dos principais conselheiros a defender esta decisão.

A Rússia nega as acusações dos EUA de que está a violar o tratado. "Putin tem dito muitas vezes que os EUA estão, de facto, a empreender medidas que estão a corroer as condições deste tratado", indicou Peskov, referindo-se aos drones de ataque e sistemas anti-míssil capazes de destruir rockets de curto e médio alcance.

A União Europeia apelou entretanto à Rússia e aos EUA para que "continuem" o diálogo de forma a "preservar" o tratado de não-proliferação. "Os EUA e a Rússia devem continuar a manter um diálogo construtivo para preservar esse tratado e assegurar que é aplicado de forma completa e verificável", indicou a porta-voz de Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia.

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