Rappers franceses em prisão preventiva

Booba, Kaaris e os outros nove elementos das suas equipas ficam em detenção até ao julgamento, que foi marcado para 6 de setembro.
Estrelas do rap que se envolveram em rixa no aeroporto de Orly arriscam pena de prisão até sete anos.

Booba, de 41 anos, e Kaaris, de 38, antigos companheiros e agora inimigos, permanecem na prisão enquanto aguardam julgamento. A sessão que vai julgar a participação na briga no aeroporto de Orly, na quarta-feira, foi marcada para dia 6 de setembro. A decisão foi recebida com gritos de surpresa e raiva.

No final de uma audiência com caráter de urgência, o presidente do tribunal criminal de Créteil justificou a decisão pela "persistente animosidade entre os dois grupos" e pelo risco de novas altercações. Os outros nove acusados ​no processo também ficam em prisão preventiva.

Após cerca de duas horas de deliberação, a decisão foi recebida com gritos de surpresa e raiva. "Vai haver guerra", ouviu-se no tribunal, conta a AFP.

Em isolamento

Para evitar qualquer incidente, os músicos ficaram em prisões separadas: Kaaris em Fresnes (Val-de-Marne) e Booba em Fleury-Mérogis (Essonne). Ambos estão sozinhos nas respetivas celas e inclusive durante o tempo de caminhada, avança uma fonte à AFP. "É uma medida tomada para protegê-los."

Na audiência, os músicos jogaram a cartada do arrependimento e da reconciliação. "O que aconteceu é indesculpável", disse Booba. "Tudo acabou, tudo está pacificado", acrescentou Kaaris, que rejeita qualquer responsabilidade na rixa.

O tribunal, no entanto, deu peso às alegações da acusação e foi favorável à medida cautelar de prisão preventiva para punir um "evento grave" ocorrido no aeroporto de Orly, "vitrina da França". Os arguidos respondem por violência e furto agravados e podem ser condenados até sete anos de prisão.

A briga entre os dois clãs começou no corredor do terminal 1 e seguiu para a loja, tendo sido filmada por vários passageiros, que rapidamente as tornaram virais. Após a zaragata, as empresas Aéroports de Paris e a Air France e a loja de duty-free que foi vandalizada apresentaram queixa.

À AFP, uma fonte policial não excluiu a hipótese de a rixa ter sido um "golpe de comunicação" montado por um dos clãs. "Sabe-se que o confronto não causará muitos danos pelo facto de se estar num lugar neutro, público e sem armas."

Booba de regresso à prisão

Para Booba, de nome verdadeiro Élie Yaffa, a vida na prisão não é uma novidade. Foi preso em 1998 pelo assalto a um táxi. Condenado a três anos de prisão, foi solto após ano e meio. Em 2003 esteve detido quatro meses, e uma terceira vez durante dois meses.

"Eu fui para a prisão por problemas com narcóticos, por tentativa de homicídio. Não adianta falar sobre isso, prefiro que me digam que tenho alguns problemas legais do que dizer que roubei um táxi", disse em entrevista ao Nouvel Observateur (agora L'Obs).

Sobre as experiências nos três estabelecimentos prisionais por que passou, disse: "No que me diz respeito, saí mais forte e mais inteligente."

Os confrontos de Booba acontecem também - ou sobretudo - nas letras. Além da crítica social que faz parte do estilo de música, o rapper é adepto dos clashes com outros colegas de profissão.

Alguns acabaram em violência física. Em 2013 acabou em vias de facto com La Fouine. Rohff foi condenado a cinco anos de prisão por ter deixado em estado grave um vendedor da loja da marca de roupas de Booba, Ünkut, num ataque perpetrado em Paris, em 2014.

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