Quem é Christopher Steele, o ex-espião autor do relatório sobre Trump

Operacional respeitado, Steele tem 52 anos e trabalhou para o MI6. Já tinha sido chamado para ajudar a investigação no caso de Alexander Litvinenko

Christopher Steele, o ex-espião que compilou um dossier explosivo sobre o agora Presidente eleito dos EUA, é um operacional respeitado que não ajeita produtos para satisfazer clientes, segundo diplomatas e analistas das informações que o conhecem.

Steele, de 52 anos, trabalhou para o MI6, o serviço de informações britânico que atua no estrangeiro, tendo estado colocado em Moscovo no início dos anos 1990. Depois de sair deste serviço, montou com um parceiro a empresa Orbis Business Intelligence Ltd. em 2009. A firma fornece conselhos estratégicos, reune informação e realiza investigação fora de fronteiras, segundo o seu sítio na Internet.

"Conheço-o como um operacional profissional e muito competente, que deixou os serviços secretos e está agora a trabalhar na sua própria empresa. Não penso que ele ajeite as coisas. Não penso que tenha feito sempre o julgamento correto, mas não é a mesma coisa", disse hoje à BBC o embaixador britânico Andrew Wood, que esteve colocado em Moscovo entre 1995 e 2000.

Em mensagem distribuída na rede social Twitter, Donald Trump criticou as "alegações falsas", atribuindo a compilação aos seus adversários políticos e a um "espião falhado com medo de ser processado", sem mencionar o nome de Steele.

Em Moscovo, um porta-voz do Presidente Vladimir Putin disse que o alegado autor do dossier com informação comprometedora sobre Trump "é desconhecido no Kremlin". O porta-voz Dmitry Peskov também reiterou que as alegações eram falsas.

O 'dossier' foi alegadamente produzido como uma investigação para as eleições presidenciais nos EUA e discutido em Washington em outubro, se bem que os seus detalhes só tenham sido noticiados amplamente esta semana. O documento contém informação não confirmada sobre uma coordenação estreita entre o círculo próximo de Trump e os dirigentes russos e práticas sexuais de Trump. A Assotiated Press (AP) não autenticou qualquer das alegações.

Wood também afirmou à BBC que o senador republicano John McCain lhe falou sobre o documento, em novembro, devido à relação de Wood com Steele. Depois da conversa, McCain conseguiu obter uma cópia do documento.

Três agentes britânicos dos serviços de informações, entrevistados pela agência AP, descreveram Steele como estando bem considerado na comunidade das informações, com excelente proficiência em russo e fontes de alto nível.

Se bem que Steele não tenha sido uma figura destacada do MI6, um dos agentes adiantou que, devido à sua experiência e contactos, foi chamado para ajudar no caso de Alexander Litvinenko, um antigo agente de informações russo, que se tornou crítico do Kremlin, envenenado em Londres, em 2006, com polonium-210, uma substância radioativa.

Wood disse ainda que é normal que Steele se tenha escondido.

"Os russos gostariam de saber de onde veio a sua informação, assumindo que esta é basicamente verdadeira e que ele não a inventou, o que não penso nem por um momento", afirmou Wood, acrescentando: "Eles (russos) estão habituados a agir".

Steele foi colocado pelo MI6 em Moscovo em 1990. Meses depois, a União Soviética colapsava e no processo de mudança sobressaiu Boris Yeltsin.

"O trabalho era pesado. Os tempos eram difíceis e havia um assédio constante por parte do KGB", um dos serviços de inforamções russos, recordou um amigo de família no elogio fúnebre divulgado por Steele depois da sua primeira esposa falecer em 2009. "Numa ocasião, até roubaram os sapatos favoritos de Laura -- do seu apartamento --, mesmo antes de um jantar oficial".

Steele esteve também colocado em Paris, entre 1998-2002, e saiu dos serviços de informações britânicos em 2009.

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