Putin promete Rússia grande outra vez no quarto mandato

Presidente deslocou-se em limusina 100% produzida na Rússia para dar a mensagem de que o seu país se move por si próprio

Vladimir Putin tomou ontem posse como presidente, naquele que é o seu quarto mandato (e segundo a lei fundamental em vigor o último como chefe do Estado russo). Numa cerimónia com cerca de cinco mil convidados, entre os quais Gerhard Schröder e Steven Seagal, antigo chanceler alemão e ator de Hollywood, respetivamente, Putin prometeu melhorar a qualidade de vida dos russos e tornar a Rússia grande outra vez. A tomada de posse, no Kremlin, aconteceu dois dias depois de a polícia reprimir manifestantes que saíram às ruas para gritar "Putin não é nosso czar". Cerca de mil foram interpelados, entre eles o atual líder da oposição russa, Alexei Navalny.

"Ao longo da sua história milenar, a Rússia atravessou em mais do que uma ocasião tempos de confusão e tempos de provação, renascendo sempre das cinzas como a Fénix, voando até alturas às quais os outros não conseguiram chegar, consideradas inalcançáveis", disse o chefe do Estado russo, de 65 anos, que chegou ao Kremlin num veículo de fabrico inteiramente russo.

Ao contrário das posses anteriores, em que foi de Mercedes, desta vez fez-se transportar na Aurus, nova limusina presidencial produzida no âmbito do projeto Kortezh (cortejo em russo). O projeto arrancou em 2012 e visa o desenvolvimento de vários veículos, da limusina a um minibus, passando por um todo-o-terreno para os guarda-costas do presidente. O Aurus tem um motor de 12 cilindros e 800 cavalos e não contém sistema integrado para os smartphones, para evitar uma eventual fuga de dados, noticiou a televisão russa RT. A mensagem que se pretende passar é clara: A Rússia move-se por si própria.

Com a mão sobre a Constituição, frente ao patriarca da igreja ortodoxa e outras autoridades, o presidente prometeu servir o povo russo de maneira fiel. Entre as suas prioridades políticas, Putin colocou "uma nova qualidade de vida, bem-estar, segurança e saúde das pessoas". Será dada especial atenção, disse, "ao apoio aos valores familiares tradicionais, à maternidade e infância para que nasçam na Rússia crianças desejadas, sãs, preparados e com talento para que possam chegar mais longe do que os seus pais e respeitar e continuar a história da nossa pátria". Assumindo que "nem todas as feridas históricas cicatrizaram nem todas as perdas e dificuldades foram superadas", Putin disse estar convencido de que a Rússia "será capaz de resolver qualquer tarefa por mais difícil que seja". O líder russo prometeu ainda garantir "a segurança e a capacidade defensiva da Rússia".

Putin foi reeleito a 18 de março com 76,69% dos votos. Desde que regressou ao Kremlin, há seis anos, a Rússia anexou a Crimeia (está prevista para este mês a inauguração da ponte que liga a território russo este território retirado à Ucrânia), enfrentou sanções económicas impostas pelos ocidentais e ordenou a intervenção militar na Síria em apoio do regime do presidente Bashar al-Assad.

Se não houver mudanças na lei fundamental russa - para uma continuação no poder pós 2024 -, Putin iniciou ontem aquele que deverá ser o seu último mandato. Se se tiver em conta a sua nomeação para primeiro-ministro em 1999, leva já 19 anos no poder, o que o põe em terceiro lugar nos últimos 125 anos de história da Rússia e da União Soviética, depois do czar Nicolau II (1874--1917) e de José Estaline (1922-1952), ficando à frente de Leonid Brejnev (1964-1982).

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