Procurador-geral dos EUA reuniu-se com embaixador russo durante a campanha

Jeff Sessions integrou equipa de campanha de Donald Trump e negou ter mantido contactos com russos durante audição parlamentar.

O procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, manteve dois encontros com o embaixador da Rússia durante a campanha, o que desencadeou novos apelos para se abster de participar na investigação sobre a interferência de Moscovo nas presidenciais.

Jeff Sessions, um dos primeiros apoiantes do Presidente Donald Trump e assessor político do candidato republicano, não divulgou que manteve essas comunicações na audiência do processo da sua confirmação, em janeiro, altura em que foi questionado se "alguém afiliado" à campanha presidencial tinha tido contacto com os russos.

A porta-voz do Departamento de Justiça dos Estados Unidos Sarah Isgur Flores afirmou, na noite de quarta-feira, que "não havia nada de enganador na resposta" de Sessions.

Essa resposta não convenceu, contudo, os democratas que exigem que peça escusa da investigação federal em curso. A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, acusou Jeff Sessions de "mentir sob juramento" e exigiu que renuncie.

Jeff Sessions manteve mais de 25 conversas com embaixadores estrangeiros na qualidade de membro de um comité do Senado, e duas interações, separadas, com o embaixador da Rússia, Sergey Kislyak, confirmou o Departamento de Justiça norte-americano.

Uma das visitas teve lugar no outono, segundo Sarah Isgur Flores, enquanto a outra no âmbito de um encontro de um grupo após um discurso de Sessions na Heritage Foundation no verão, quando vários embaixadores -- incluindo o russo -- abordaram posteriormente Sessions.

Os contactos foram revelados pelo Washington Post que falou com os outros 25 membros do comité dos Serviços Armados para saber se também tinham mantido contactos com o diplomata russo, sendo que dos 20 que responderam todos disseram que não.

Os mais recentes desenvolvimentos desencadearam já apelos de membros do Congresso para que Sessions seja afastado da investigação do FBI.

"Se forem rigorosas as informações de que o procurador-geral Sessions -- um proeminente substituto de Donald Trump -- se encontrou com o embaixador Kislyak durante a campanha e falhou em revelar este facto durante a sua confirmação [pelo Senado], é essencial que ele se abstenha de desempenhar qualquer papel na investigação à ligação entre a campanha de Trump e os russos", afirmou Adam Schiff, principal democrata membro do comité das Informações da Câmara dos Representantes.

Durante a sessão de confirmação de janeiro, o senador Al Franken alertou Sessions para as alegações de que teria havido contactos entre assessores de Trump e a Rússia durante as eleições presidenciais.

Em concreto, perguntou a Sessions o que faria se houvesse provas de que alguém da campanha de Trump tinha estado em contacto com o governo russo durante a campanha.

Sessions respondeu não estar a par dessas atividades e, depois, acrescentou: "Fui chamado de 'substituto' por uma ou duas vezes durante a campanha e não tenho, não mantive comunicações com os russos, [pelo que] não estou em condições de comentar sobre isso".

A porta-voz do Departamento de Justiça considera que foi essa a resposta que não foi enganadora: "Ele foi questionado durante a audiência sobre comunicações entre a Rússia e a campanha de Trump -- não sobre os encontros que teve como senador e membro da Comissão de Serviços Armados", afirmou num comunicado, citado pela agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP).

O senador Al Franken, num comunicado também emitido na noite de quarta-feira, afirmou que lhe preocupa que a resposta de Sessions tenha sido, "na melhor das hipóteses, enganadora", afirmando que planeia insistir com Sessions sobre o seu contacto com a Rússia.

"É mais claro do que nunca que o procurador-geral não pode, em boa fé, supervisionar a investigação do Departamento de Justiça e do FBI sobre a ligação Trump-Rússia, e que deve recusar-me imediatamente", afirmou Franken.

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