Polícia dispersa manifestantes com gás lacrimogéneo em Paris

A polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que estavam a bloquear a circulação de autocarros. A contestação social contra a reforma do sistema de pensões mantém-se depois da mensagem de Ano Novo do presidente francês. Emmanuel Macron garantiu que a reforma vai mesmo ser concluída.

Há já 29 dias que dura a greve dos transportes em França. A contestação social à anunciada reforma das pensões promete não dar tréguas. Esta quinta-feira, a polícia recorreu ao gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em Paris que estavam a bloquear uma estação de autocarros.

Os protestos acontecem após a mensagem de Ano Novo do presidente francês, no último dia de 2019, na qual garantiu que a reforma das pensões vai mesmo ser concluída. Aos franceses, Emmanuel Macron disse esperar que o primeiro-ministro Edouard Philippe encontre um caminho para "um rápido compromisso" com os parceiros sociais. As negociações entre o governo e os sindicatos vão ser retomadas a 7 de janeiro.

Esta quinta-feira marca um recorde histórico para a SNCF, o operador francês dos caminhos-de-ferro, cujos trabalhadores estão em greve desde o dia 5 de dezembro, ou seja há 29 dias. Esta greve ultrapassa aquela que havia sido a mais longa da história da companhia francesa de caminhos de ferro, de 28 dias em 1986/87.

Após a mensagem de Ano Novo de Emmanuel Macron, na terça-feira, assegurando que mantinha uma vontade firme de continuar a reforma, o secretário-geral da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Philippe Martinez, convocou na quarta-feira uma greve geral de todos os franceses e manifestações nacionais até que o projeto seja retirado.

A contestação social promete agravar-se com a CGT a apelar ao bloqueio de todas as refinarias de França, entre os dia 7 e 10 de janeiro.

"Há um direito de greve garantido pela constituição, mas não há o direito de bloquear em nosso país", afirmou a ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne. Já a secretária de Estado da Economia, considerou "ilegal" o bloqueio às refinarias. "É legitimo que os franceses tenham acesso à gasolina. Esta pressão não é aceitável", afirmou Agnès Pannier-Runacher, que garantiu que não haverá falta de combustível.

Embora a retoma das negociações entre o governo e sindicatos esteja prevista para 7 de janeiro, a confiança num acordo parece perdida e as associações sociais esperam que a mobilização de 9 de janeiro, apoiada por sindicatos e por ordens como a dos advogados, mostre que o movimento pode ganhar ainda mais força.

Ao longo deste mês, a CGT arrecadou mais de um milhão de euros para apoio a grevistas, graças a mais de 18 mil doadores, mas o valor continua a aumentar.

Esta quinta-feira, na Gare de Lyon, representantes dos sindicatos entregaram um novo cheque de 50 000 euros aos motoristas que estavam a manifestar-se frente à estação.

Com Lusa.

Atualizado às 13:24

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