Macron na mensagem de Ano Novo. Garante que reforma das pensões vai ser "concluída"

O chefe de Estado francês entende os medos e a oposição às mudanças, mas garantiu na mensagem de Ano Novo que a reforma das pensões vai ser concluída. "Não vou ceder ao pessimismo", disse. Espera que o governo de Edouard Philippe chegue a um "rápido compromisso". As negociações com os sindicatos são retomadas a 7 de janeiro.

"A reforma das pensões será concluída", afirmou o presidente francês Emmanuel Macron, esta terça-feira, na mensagem de Ano Novo, numa altura em que se mantém a contestação no país. A greve nos transportes ferroviários e no metropolitano de Paris contra a reforma das pensões dura desde o dia 5 de dezembro.

Emmanuel Macron entende "os medos e ansiedades" que estão a surgir perante "um assunto tão importante que está no cerne da identidade francesa". Nesse sentido, deseja que o governo do primeiro-ministro Edouard Philippe "encontre um caminho para um rápido compromisso", respeitando os princípios de "universalidade, de equidade" e responsabilidade. Lembrou que as organizações sindicais e o governo vão retomar as negociações a 7 de janeiro.

O chefe de Estado reforçou a importância para os franceses da necessidade de existir uma reforma do sistema de pensões. "Trata-se de garantir o equilíbrio do sistema pela distribuição que é nossa desde o Conselho Nacional da resistência e, portanto, sua solidez ao longo do tempo", defendeu, referindo-se a um maior equilíbrio no sistema financeiro. Uma reforma que é contestada pelas organizações sindicais.

Num discurso de 18 minutos em que o tema central foi a "unidade da nação", Macron afirmou que, por vezes, as decisões e as mudanças podem encontrar oposição e medo, mas que não será por isso que ficará de braços cruzados. "Devemos, portanto, desistir de mudar o nosso país e nossa vida diária? Não", disse. "Seria abandonar aqueles a quem o sistema já abandonou. Estaria a trair os nossos filhos, os seus filhos, que teriam de pagar o preço pelas nossas renúncias", justificou.

"Tomo diante de vocês o compromisso de dedicar toda a minha energia para transformar o nosso país, torná-lo mais forte, mais justo e mais humano", garantiu Emmanuel Macron. "Não vou ceder ao pessimismo ou à inércia", prometeu.

Ao longo da mensagem, que proferiu de pé, o chefe de Estado francês sublinhou alguns momentos na vida do país no ano que agora termina, como o incêndio que devastou a catedral de Notre-Dame, em abril, e a onda de solidariedade que se gerou na sociedade francesa em torno da recuperação do monumento histórico de Paris. Lembrou também a morte do antigo presidente francês, Jacques Chirac, em setembro.

A luta contra o terrorismo não foi esquecida por Macron, que se mostrou preocupado com "muitas divisões em nome das origens" ou "religiões". Prometeu que "novas decisões " vão ser tomadas "nas próximas semanas" para "lutar com determinação contra as forças que minam a unidade de nação ".

Sobre as questões ambientais, o presidente francês revelou que "2020 será o ano em que um novo modelo ecológico deverá ser implantado".

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