Pequim acusa Índia de atravessar fronteira. Três mortos em "confrontos violentos"

"Não houve disparos. Não foram usadas armas de fogo. Foram confrontos violentos corpo a corpo", disse um oficial indiano.

A China acusou esta terça-feira a Índia de atravessar uma fronteira há anos disputada entre os dois países, e o exército indiano revelou que três dos seus soldados foram mortos em confrontos violentos.

As tensões entre os dois vizinhos ao longo da fronteira de 3.500 quilómetros - que nunca foi demarcada adequadamente - não são novos, e recentemente milhares de soldados envolveram-se em confrontos na região indiana fronteiriça de Ladakh.

Em maio, vários soldados indianos e chineses ficaram feridos durante um confronto igualmente físico e que ainda envolveu arremesso de pedras.

O exército indiano disse que houve "baixas de ambos os lados", mas Pequim não mencionou nenhuma morte ou ferimento, e rapidamente disse que a Índia era culpada do incidente.

"Um confronto violento aconteceu ontem (segunda-feira) à noite, com baixas de ambos os lados. A perda de vidas no lado indiano inclui um oficial e dois soldados", disse um porta-voz do exército indiano em comunicado, citado pela AFP.

"Altos oficiais militares dos dois lados estão reunidos no local para amenizar a situação", acrescenta a nota.

Um oficial do exército indiano baseado na região disse à AFP que não houve disparos, mas confrontos físicos.

"Não houve disparos. Não foram usadas armas de fogo. Foram confrontos violentos corpo a corpo", disse o oficial, que pediu anonimato.

"Não atravessem a fronteira, não provoquem problemas", alerta a China

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, disse aos jornalistas que as tropas indianas cruzaram a fronteira duas vezes na segunda-feira, "provocando e atacando funcionários chineses" o que terá resultado em "sérios" confrontos físicos entre os soldados dos dois lados, cita a AFP.

"Solicitamos novamente e solenemente que a Índia tome a atitude certa e restrinja as suas tropas à linha de frente", disse Zhao Lijian.

"Não atravessem a fronteira, não provoquem problemas, não tomem nenhuma ação unilateral que complique a situação na fronteira", avisou o representaste chinês.

Na semana passada, a China afirmava ter alcançado um "consenso positivo" com a Índia sobre a resolução das tensões na fronteira.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o líder chinês Xi Jinping têm tentado aliviar as tensões durante os últimos dois anos, quando concordaram em aumentar as comunicações nas fronteiras entre os militares dos dois países.

Os media indianos sugerem, no entanto, que a Índia parece ter efetivamente cedido áreas à China que o Exército Popular de Libertação ocupava nas últimas semanas, principalmente partes do lado norte do lago Pangong Tso e parte do vale do rio Galwan, estrategicamente importante.

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