Partido de Putin em perda na capital russa

Depois de um verão de manifestações reprimidas pela polícia, o partido no poder sofreu perdas nas eleições de Moscovo, mas mantém maioria.

Os representantes pró-Kremlin, com 25 lugares em 45 na Duma de Moscovo, perdem quase um terço dos seus representantes eleitos em comparação com o mandato anterior. Em 2014, os candidatos do Partido da Rússia Unida e aliados haviam conquistado 38 assentos.

Os candidatos apoiados pelas autoridades perderam em 20 dos 45 distritos da capital russa. Com 13 deputados, em contraste com cinco anteriormente, os candidatos comunistas são os grandes vencedores da eleição. Dois outros partidos entram no Parlamento de Moscovo: os liberais do Yabloko, que ganham três lugares e podem contar com um deputado independente que apoiam, e o partido da Rússia Justa, considerado como parte da oposição "tolerada" pelo Kremlin, que elege três deputados.

Num movimento de protesto com um grau de participação sem paralelo desde 2012, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Moscovo a um ritmo quase semanal desde meados de julho, ao apelo da oposição, contra a exclusão do seus candidatos das eleições. O opositor Alexei Navalny, cujos aliados foram excluídos das eleições, tinha chamado os eleitores a "votar de forma inteligente", apoiando os mais bem colocados para derrotar os candidatos do Kremlin.

"Lutámos juntos por isto. Obrigado a todos pela contribuição", disse Alexei Navalny no Twitter, enquanto a advogada Lyubov Sobol, que emergiu como um dos líderes do protesto, elogiou "um resultado que vai ficar na história de Moscovo".

No entanto, a taxa de participação permaneceu muito baixa em Moscovo, em 21,77%, ligeiramente superior à das eleições locais anteriores de 2014.

Nove ex-deputados do Partido Presidencial da Rússia Unida não conseguiram manter seus assentos, incluindo o líder da filial de Moscovo do partido, Andrei Metelsky, deputado desde 2001.

Perante o declínio da popularidade da Rússia Unida, as autoridades tiveram o cuidado de não apresentar quaisquer candidatos em nome do partido, tentando encontrar personalidades da sociedade civil.

Para o Kremlin a Rússia Unida teve um desempenho positivo, apesar do revés em Moscovo, disse o porta-voz de Vladimir Putin. "Em geral, a campanha eleitoral em toda a Rússia foi muito bem-sucedida para o partido da Rússia Unida. Nalguns lugares ganhou mais do que noutros. Mas, em geral, para o país, o partido mostrou a sua liderança política", disse Dmitry Peskov.

O porta-voz recusou ligar o resultado de Moscovo a uma votação de protesto.

No total, foram realizadas na Rússia mais de 5000 sufrágios, entre os quais 16 governadores regionais e parlamentares locais de 13 regiões, incluindo a Crimeia, a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014.

Bachelet apela para o Kremlin

A maior parte das manifestações não foi autorizada, tendo resultado em 2.700 detenções em Moscovo. Quase todas as figuras da oposição receberam penas de prisão curtas e cinco manifestantes receberam penas pesadas por "violência" contra a polícia, até quatro anos de prisão.

Na segunda-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu investigações sobre o "uso excessivo" da força pela polícia russa durante as manifestações. Apelou igualmente às autoridades para que "respeitem a liberdade de expressão, o direito de reunião pacífica e o direito de participação nos assuntos públicos".

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