Países Baixos resistem ao confinamento total e apostam na imunidade de grupo

Governo vai decidir na próxima terça-feira como proceder na luta contra o coronavírus que já fez 434 mortos.

Numa altura em que quase todos os países europeus aplicam medidas de confinamento para fazer face à pandemia de coronavírus, os Países Baixos são uma exceção. As escolas, bares e até coffeshops (onde se vende canábis legalmente) estão fechados, os idosos e população de risco devem cumprir isolamento voluntário em casa e há regras para limitar as interações sociais, mas fechar totalmente o país é a última coisa que o primeiro-ministro Mark Rutte quer.

A aposta é na ideia da "imunidade de grupo", onde se protegem os mais frágeis e deixa-se que o resto da população apanhe a doença, com o governo a avisar que a maioria dos residentes iria ter covid-19.Uma tática que o Reino Unido começou por defender mas já abandonou.

Os dados revelados nesta quinta-feira apontavam para a existência de 7431 pessoas infetadas, mais 1019 do que na quarta-feira, o valor mais elevado até agora num só dia, que representa um aumento de 15,9%. Uma percentagem superior ao aumento de 15,3% registado na véspera (o aumento tinha sido então de 852 casos), mas inferior ao de 17,1% de segunda para terça-feira, quando o responsável pelo Instituto Nacional de Saúde do país, Jaap van Dissel, disse que segundo as estimativas cada pessoa infetada estava apenas a infetar uma outra e que acreditava que o crescimento exponencial da pandemia tinha sido travado.

O número de mortos era ontem de 434, mais 78 do que na véspera (quando o aumento tinha sido de 80). No total, estão ou já estiveram hospitalizados 2151 doentes, um aumento de 315 em relação a quarta-feira.

"O número de pacientes internados no hospital e o número de mortes estão a aumentar menos rapidamente do que se esperaria sem medidas. Isso pode ser uma indicação de que as medidas têm efeito na taxa de disseminação do vírus. Esses efeitos serão melhor explicados no final desta semana ou no início da próxima semana", segundo a análise oficial.

Esta semana, os Países Baixos alargaram a proibição de eventos públicos até 1 de junho, tendo fechado escolas, bares, restaurantes e as famosas coffee shops desde 16 de março até, pelo menos, 6 de abril. Por causa desta última medida, as filas foram longas nestes estabelecimentos na véspera do encerramento. Mais cedo já tinham sido fechados museus e foi incentivado o teletrabalho ou o trabalho em semanas alternadas.

"Até segunda-feira a regra era: se tens sintomas de gripe, ficas em casa. Na segunda-feira, acrescentámos que se alguém na tua família estiver adoentado e com febre, a família toda deve ficar em casa", indicou Rutte, citado pelo NLTimes.nl. A exceção era para funcionários de setores considerados vitais, que tinham que continuar a ir trabalhar mesmo que alguém na família estivesse doente.

As visitas de amigos e familiares a casa podem continuar a acontecer, num máximo de três, sempre que seja possível manter a distância de 1,5 metros entre as pessoas. Há multas caso estas distâncias, válidas também no exterior de casa, não sejam cumpridas.

O primeiro-ministro neerlandês, Mark Rutte, avisou que o confinamento total da população -- como acontece em França, Itália ou Espanha -- não está fora de questão, caso as medidas de contenção que o país aprovou não sejam suficientes. "Espero que não seja necessário", disse Rutte que, na semana passada, defendeu a ideia de criar imunidade de grupo nos Países Baixos.

O governo vai decidir na próxima terça-feira como vai continuar o combate contra o coronavírus. O pico da epidemia é esperado a 1 de abril.

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