Os seis critérios da OMS para os países levantarem restrições

Detetar, testar, isolar e tratar todos os casos de covid-19, além de rastrear todos os contatos, é um dos critérios propostos pela Organização Mundial da Saúde.

Com cada vez mais países a aliviarem ou a suspenderem as restrições impostas devido à pandemia de covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento com linhas orientadoras para uma estratégia global de combate à disseminação do vírus. Entre elas, estão seis criérios que os países devem ter em conta antes de decidrem pela suspensão das medidas já tomadas.

Quais são os critérios?

Os países devem confirmar que a transmissão do vírus está controlada.

Garantir que os sistemas de saúde são capazes de detetar, testar, isolar e tratar todos os casos de covid-19, além de rastrear todos os contatos.

3º Assegurar que os riscos de novos surtos são minimizados, especialmente em locais como unidades de saúde e lares de terceira idade.

Devem implementar medidas preventivas nos locais de trabalho, escolas e outros locais considerados essenciais para a população.

5º Gerir os riscos de importação de novos casos.

6º Educar, envolver e capacitar as comunidades para se adaptarem à "nova norma" da vida quotidiana.

"Os países devem encontrar um equilíbrio entre as medidas que tratam a mortalidade causada pela covid-19 e por outras doenças devido aos sistemas de saúde sobrecarregados, bem como os impactos socioeconómicos", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, resumindo as orientações que podem ser conultadas na íntegra no site da OMS.

No mesmo documento onde são definidos os critérios para o levantamento das restrições, o responsável traça três características definidoras da pandemia:

Velocidade e escala: a doença espalhou-se rapidamente em todo o mundo e a sua capacidade de disseminação explosiva ameaçou até os mais bem preparados sistemas de saúde.

Gravidade: no total, 20% dos casos de covid-19 são graves ou considerados críticos, com uma taxa bruta de mortalidade acima de 3%, que aumenta nos grupos etários mais velhos e naqueles com condições de saúde subjacentes.

Ruptura social e económica: choque na saúde e nos sistemas de assistência social e as medidas tomadas para controlar a transmissão do vírus causaram um impacto socioeconómico profundo.

Quais os países que estão a levantar as restrições e como?

Itália vai entrar na Fase II - "coexistência com o vírus" - e poderá ser aplicada a partir 16 de maio.

Por agora, abriram algumas pequenas lojas - computadores, roupa de bebé, lavandarias, livrarias - enquanto as restantes atividades aguardam encerradas, pelo menos, até 4 de maio.

O governo italiano quer ainda impor o uso de máscara generalizado e ditar um "distanciamento social escrupuloso". Outra medida rigorosa aplica-se a quem regresse a Itália: terá de fazer quarentena e apresentar à entrada do meio de transporte escolhido.

Em Espanha assiste-se ao regresso parcelar de atividades como a indústria e a construção civil. O regresso ao trabalho não envolve toda a população: empregados mais velhos, mulheres grávidas e doentes crónicos mantêm-se em casa.

As máscaras também deverão ser generalizadas a toda a população.

A partir de 11 de maio, França prevê o fim "progressivo" do confinamento, com escolas (exceto o ensino superior) a reabrirem nessa data, bem como algumas empresas. A abertura de bares, restaurantes, hotéis, cinemas e museus só deverá acontecer em meados de julho.

As fronteiras de França continuam encerradas aos países fora do espaço Schengen e a população deverá passar a usar máscaras a partir de 11 de maio nos transportes públicos e outros locais fechados.

Áustria foi o primeiro país a levantar restrições, mas adotou outras: nesta semana passou a ser obrigatório usar máscara nos transportes públicos e dentro das lojas, sob pena de multa.

Abriram os pequenos estabelecimentos comerciais e as escolas permanecem fechadas até meio de maio.

Alemanha decide esta quarta-feira as propostas da Academia Nacional das Ciências Leopoldina que aconselha um regresso à normalidade por etapas - entre as sugestões está a reabertura das escolas, "assim que possível", começando pelo ensino básico.

A Academia preconiza igualmente o regresso, "pouco a pouco", das manifestações culturais e desportivas.

A partir desta quarta-feira começam a abrir progressivamente as creches e escolas primárias na Dinamarca. Centros comerciais, restaurantes, cafés, bares, discotecas, cabeleireiros, casas de massagens, continuam encerrados. As concentrações de mais de dez pessoas ainda são proibidas e as fronteiras continuam fechadas.

Segundo a OMS, estima-se que o vírus que causa a covid-19 seja 10 vezes mais mortífero que a pandemia de gripe de 2009.

A Organização Mundial da Saúde alerta que as restrições de distanciamento físico são apenas uma parte da equação, e que são necessárias muitas outras medidas de saúde pública.

O SARS-CoV-2 "acelera rapidamente, mas desacelera muito mais lentamente, as medidas de controlo têm de ser levantadas muito lentamente - não de uma só vez", alerta Tedros Ghebreyesus.

"Por outras palavras, a descida é muito mais lenta que a subida", afirma o diretor-geral da OMS.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG