Número real de contágios em Espanha supera os três milhões, diz Sánchez

O primeiro-ministro espanhol diz que a situação é "grave" e que é preciso reduzir a mobilidade e os contactos. Não há outra solução, disse Sánchez. Alertou que as próximas semanas e meses vão ser "muito difíceis".

A evolução epidemiológica é "grave" em Espanha e as próximas semanas e meses vão ser "muito difíceis". O alerta foi dado, esta sexta-feira, pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. Apelou à "disciplina social" dos cidadãos no combate à propagação do novo coronavírus e acredita que "juntos" vão conseguir superar a pandemia.

"Devemos reduzir a mobilidade e os contactos" para travar o aumento de contágios no país, afirmou Sánchez. Não há outra solução, considerou o chefe do governo espanhol. "Temos de intensificar a ação".

Pedro Sánchez fez saber que "quando falamos agora de um milhão de infeções" em Espanha, "devemos estar cientes de que o número supera os três milhões" de infetados, desde o início da pandemia. A afirmação do chefe do Governo espanhol tem em conta estudos de seroprevalência desenvolvidos por instituições públicas com especialistas científicos.

Na declaração que fez a partir do palácio da Moncloa, em Madrid, Sánchez afirmou que "todos" devem agir juntos contra o vírus e que o "objetivo é dobrar a curva" como na primeira vaga de infeções.

Reconhece que há cansaço entre a população, mas realçou as vantagens do conhecimento que agora os cientistas possuem sobre a doença. "A situação não é comparável à de 14 de março. Não queremos chegar a esse ponto."

Cabe às comunidades autónomas decretar o estado de alarme

Afirmou que se deve evitar o confinamento total "a todo o custo" e que prefere atuar nas situações que promovem maior aumento de infeções: as reuniões sociais e familiares ou com amigos, o trabalho e a vida noturna.

Assegurou, no entanto, que o Governo está pronto para tomar todas as medidas que sejam necessárias para travar os contágios - na quinta-feira, Espanha registou 20 986 novos casos de covid-19 elevando para 1 026 281, o total de infetados no país. Foram contabilizadas mais 155 mortes, passando o total de óbitos para 34.521.

Sobre uma eventual declaração do estado de alarme, o governante disse que o país está pronto a adotar qualquer medida necessária para travar a pandemia, mas sempre com o equilíbrio necessário entre a proteção da saúde, a mitigação dos efeitos económicos e o respeito dos direitos e liberdades.

Na comunicação que fez ao país, o chefe do Governo espanhol falou no acordo alcançado no Conselho Interterritorial, em que ficam estipulados quatro níveis de alerta, sendo que o máximo é 4 e o que requer o estado de alarme, uma vez que inclui a restrição de mobilidade.

"Quando um território entra em estado de alerta extremo, devem ser adotadas medidas excecionais que podem exigir o acionamento do estado de alarme. O momento de sua adoção será determinado pelas comunidades autónomas", fez saber Sánchez.

"Devemos adotar as medidas necessárias causando o menor dano económico possível e as menores restrições possíveis para as liberdades pessoais, e estamos prontos a adotar todas e cada uma das medidas que sejam necessárias", declarou ainda o primeiro-ministro espanhol.

O chefe do Executivo acrescentou que ninguém, nem as comunidades, nem municípios, nem o Governo de Espanha têm interesse em impor mais limitações do que as que são essenciais para limitar a propagação da pandemia.

Porém, para isso, Sánchez disse que é necessário o máximo de colaboração, consciência e disciplina por parte dos cidadãos.

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