Nova Iorque abre "valas comuns" para enterrar os mortos por coronavírus

As imagens mostram caixões a ser colocados lado a lado em enormes valas por funcionários de fato branco e máscaras de proteção em Hart Island, a leste do Bronx. Estado de Nova Iorque tem mais casos de covid-19 do que qualquer país no mundo.

Captadas por drones, as imagens mostram fileiras de caixões a serem colocados por funcionários vestidos com fatos de proteção brancos e máscaras numa espécie de "vala comum" na ilha de Hart Island, a leste do Bronx. As autoridades de Nova Iorque estão a usar aquele local, onde nos últimos 150 anos têm sido sepultados os residentes de Nova Iorque que não são reclamados pela família, para enterrar vítimas de covid-19 cujos familiares não têm recursos para pagar os funerais ou que não têm ninguém próximo.

"Durante décadas, Hart Island foi usada para enterrar pessoas que não foram reclamadas pelas famílias. Vamos continuar a usar a ilha dessa forma durante esta crise e é provável que pessoas que morreram de covid-19 e que se encaixem nesta descrição sejam enterradas na ilha nas próximas semanas", explicou à CNN a porta-voz do mayor de Nova Iorque, Freddi Godstein.

O estado de Nova Iorque, com quase 160 mil infetados (e mais de 7000 mortos), tem mais casos de contaminação por covid-19 do que qualquer país no mundo. Espanha, por exemplo, tem 153 mil casos e Itália tem 143 mil. . Ao todo, os EUA registam neste momento mais de 16500 mortos e mais de 460 mil infetados.

"Estas são pessoas cujos corpos, durante duas semanas, não foram reclamados por ninguém. Ninguém durantes esse tempo veio dizer: 'Conheço esta pessoa, amo esta pessoa, eu trato do funeral'", explicou ainda Goldstein, acrescentando tratar-se de pessoas que "não tinham qualquer contacto com a família".

Os caixões poderão não pertencer todos a vítimas do novo coronavírus, mas a maior parte serão, admitiram as autoridades nova-iorquinas. E a verdade é que à medida que a pandemia ia causando mais vítimas em Nova Iorque, os enterros em Hart Island passaram de um dia por semana para cinco dias por semana.

O trabalho de abrir as valas e enterrar os caixões costumava ser feito por prisioneiros detidos na prisão de alta segurança de Rickers Island, mas o aumento do número de mortes obrigou as autoridades da cidade a contratar empresas especializadas.

O mayor Bill de Blasio admitiu esta semana que enquanto esta crise durar poderá ser necessário criar "locais de enterro temporários" na cidade. E admitiu: "o local que usamos historicamente é Hart Island.

Apesar de uns impressionantes 799 mortos num único dia na quarta-feira no estado de Nova Iorque, o governador Andrew Cuomo sublinhou haver uma luz de esperança no facto de o número de infetados internados nos hospitais estar a baixar gradualmente, atribuindo o facto ao sucesso das medidas de isolamento e distanciamento social. Para o governador, a pandemia de covid-19 é "uma explosão silenciosa que alastrou pela nossa sociedade da mesma forma aleatória e vil que vimos no 11 de Setembro", referindo-se aos atentados de 2001 que fizeram quase três mil mortes nos EUA, a larga maioria em Nova Iorque na queda das Torres Gémeas do World Trade Center.

De local de treino na Guerra Civil a cemitério

Com 1,6 km de comprimento por 500 metros de largura, Hart Island começou por ser usada durante a Guerra Civil americana, em 1864, como local de treino para o regimento de soldados negros ao serviço das tropas da União. Desde então a ilha já foi usada como campo de prisioneiros, hospital psiquiátrico, sanatório, cemitério, centro de acolhimento para sem-abrigo, reformatório, prisão e centro de reabilitação para toxicodependentes.

Projetos como a construção de um parque de diversões não chegaram a avançar. Mas durante a Guerra Fria Hart Island chegou a receber mísseis.

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