Mãe sobreviveu a atentado na Costa do Marfim com filha ao colo

No passado domingo 16 pessoas perderam a vida num ataque terrorista numa praia na Costa do Marfim. Entre os mortos, quatro europeus e dois militares. Al-Qaeda reivindicou o ataque.

A cidade costeira de Grand-Bassam, a cerca de 40 km de Abidjan, é um procurado destino turístico na Costa do Marfimr. Retiro de fim de semana para os marfinenses, destino de luxo para os europeus, no domingo foi palco de um ataque terrorista. Charline Burton, de 32 anos, contou à BBC como sobreviveu ao ataque com a sua filha de um ano ao colo.

A belga esteve durante duas horas escondida numa casa de banho enquanto ouvia os atacantes revistar os quartos ao lado:"Conseguíamos ouvir os disparos e perceber que estavam mesmo ao nosso lado".

Charlie estava com o marido e as duas filhas a almoçar no resort turístico quando um grupo de homens encapuzados armados com Kalashnikovs abriram fogo na praia. Viram pessoas a correr em todas as direções, levantaram-se e fizeram o mesmo.

"Começámos a fugir e acabámos por nos separar. Cada um de nós levava uma criança pela mão. Estava perdida e não sabia o que fazer. Entrei numa casa de banho com a minha filha e ficámos lá presas durante duas ou três horas"

A menos de uma hora de Abidjan e património da humanidade da Unesco, a cidade de Grande Bassam é um destino bastante popular entre os marfinenses e estrangeiros.

"Eu chorava e um homem dizia-me para ficar calma. Tinha mesmo que me acalmar, a bebé não podia chorar", contou Charlie que ficou aterrorizada quando percebeu que a filha podia fazer barulho e levar os atacantes a descobrir o esconderijo.

"Estava muito assustada e ao mesmo tempo tentava não fazer barulho"

Entretanto o marido escondia-se noutro quarto juntamente com a filha de 3 anos e outros hóspedes do hotel. Todos se deitaram no chão tentando desesperadamente não fazer ruído.

Por fim chegaram as forças do exército da Costa do Marfim que depois de abater seis dos atacantes reuniram toda a gente numa igreja ali perto.

A família de Charlie Burton sobreviveu mas 16 pessoas perderam a vida. Na areia repousavam os corpos das vítimas e as granadas deixadas para trás pelos atacantes.

"Todas as lágrimas que contive naquela casa de banho acabei por chorar depois. Não conseguia parar, estava em estado de choque", contou Charlie.

O presidente Alassane Ouattara visitou o local e tentou assegurar que o país tinha a situação controlada. "Estes ataques covardes não vão ser tolerados", afirmou.

Ao mesmo tempo, nas redes sociais, a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) reivindicava a autoria do ataque. O grupo reclamou também a autoria do recente ataque a um hotel em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, onde 29 perderam a vida e de outro atentado a um hotel de Bamako, no Mali, que vitimou outras 27 pessoas.

Charlie Burton contou ainda à BBC que já se encontra em casa com a família: "Sinto-me grata e cheia de sorte porque podíamos estar todos mortos".

Depois dos ataques no Mali e no Burkina Faso, o governo reforçou a segurança na capital, mas ninguém esperava por um ataque na pequena cidade de Grand Bassam.

A Costa do Marfim, com uma população quase igualmente dividida entre muçulmanos e cristãos, não é considerada um país de prioridade antiterrorista, mas a crescente ameaça jihadista no oeste africano promete alterar esse estatuto.

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