"Morreu como um cão". Trump confirma morte do líder do Estado Islâmico

É oficial. Trump confirma a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, no sábado à noite. O líder do Estado Islâmico ter-se-á suicidado quando estava prestes a ser capturado numa operação militar na Síria.

Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, de 48 anos, foi morto numa operação militar dos EUA no nordeste da Síria, anunciou este domingo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Não houve vítimas entre as forças americanas, afirmou o presidente. "Os EUA fizeram justiça e capturaram o terrorista mais perigoso do mundo", disse Trump que considerou que a captura de Baghdadi era uma prioridade da sua administração. Quando foi encontrado pelas tropas americanas, o líder do Estado Islâmico fugiu com três dos seus filhos pequenos, e quando se viu encurralado num túnel sem saída, ativou o colete de explosivos, causando não só a sua morte como também das crianças.

"A última noite foi uma noite importante para os Estados Unidos e para o mundo. Um assassino implacável foi eliminado e não irá fazer mais vítimas. Morreu como um cão", afirmou o presidente. "Não morreu como um herói, morreu como um cobarde", declarou Trump, sublinhando que Baghdadi morreu "a gemer, a gritar e a chorar, fugiu levando consigo três crianças".

De acordo com o presidente, Baghdadi estava ser vigiado há já cerca de duas semanas e neste período os americanos já tinham planeado outras missões que acabaram por não ser concretizadas. Apesar de ter sido "uma operação muito perigosa", Trump estava satisfeito com o sucesso da operação que se prolongou por duas horas, com a utilização "muitos agentes" e oito helicópteros, com "tremendo poder aéreo". Apenas forças americanas estiveram envolvidas na operação, no entanto, os americanos tiveram "bastante cooperação", disse Trump, sem especificar.

O presidente não se cansou de elogiar os militares que estiveram envolvidos nesta operação e que foram "incríveis". "Morreram muitos combatentes de Baghdadi mas nós não perdemos ninguém", repetiu. "Nenhum soldado ficou sequer ferido." As pessoas que estavam com Baghdadi foram mortas ou entregaram-se. Onze crianças foram retiradas da casa e estão salvas. No final, o túnel colapsou.

O presidente norte-americano acredita que a Rússia terá ficado satisfeita com a notícia da morte de Baghdadi, tal como a Turquia e a Síria. "Nós matamos os terroristas e os terroristas estão muito perto deles, por isso é normal que fiquem contentes", disse.

Notícia tinha sido avançada no sábado à noite

A notícia tinha sido avançada no sábado à noite pela Newsweeke logo depois por jornais como o New York Times e o Washington Post que citavam várias fontes que confirmavam a existência de uma operação especial na Síria com objetivo de liquidar alguns líderes do Estado Islâmico (também conhecido como ISIS). O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de monitorização com sede no Reino Unido, afirmou que tiros de helicóptero mataram nove pessoas perto de uma vila da província síria de Idlib, onde havia "grupos ligados ao Estado Islâmico".

Já a Reuters afirmava que as suas "fontes na Síria" confirmavam a morte de Abu Bakr al-Baghdadi e do seu guarda-costas, em Idlib, depois de o seu esconderijo ter sido descoberto pelos americanos.

Desde logo começaram a surgir indícios de que al-Baghdadi se teria suicidado, ao detonar um colete de explosivos.

Questionado pela agência de notícias France-Presse, o Pentágono, no entanto, recusou-se a comentar.

Entretanto, Donald Trump publicou uma mensagem enigmática na rede social Twitter: "Algo enorme acabou de acontecer!".

E pouco depois chegou a informação de que "o Presidente dos Estados Unidos faria um anúncio muito importante amanhã [hoje] às 9:00 (13:00 em Lisboa) da Casa Branca", disse o porta-voz do executivo norte-americano, Hogan Gidley, sem fornecer mais detalhes.

Não era a primeira vez que al-Baghdadi era dado como morto, pelo que alguns analistas viram estas notícias com reservas. Mas agora que se confirma, é possível afirmar que esta é a mais importante a visar um líder extremista desde a morte a 2 de maio de 2011 de Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, às mãos das forças especiais norte-americanas, no Paquistão.

Esta operação ocorreu num momento de intensa atividade militar no norte da Síria. O regime sírio e o seu aliado russo aceleraram o envio de tropas para a fronteira sírio-turca, enquanto os norte-americanos anunciaram o reforço militar numa zona de petróleo mais a leste, sob controlo curdo.

Quem é Abu Bakr al-Baghdadi?

Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico, é um dos homens mais procurados do mundo. Em outubro de 2011, os Estados Unidos designaram-no oficialmente como "terrorista" e ofereceram uma recompensa de 10 milhões de dólares (9 milhões de euros) por informações que pudessem levar à sua captura ou morte.

Bghadadi nasceu perto de Samarra, ao norte de Bagdad (no Iraque), em 1971, e o seu nome verdadeiro é Ibrahim Awad al-Badri. Pensa-se que, aquando da invasão liderada pelos EUA em 2003, ele era um clérigo numa mesquita. Algumas fontes dizem que ele era já um jihadista militante durante o governo de Saddam Hussein, outras sugerem que ele foi radicalizado durante os quatro anos que esteve em Camp Bucca, uma instalação americana no sul do Iraque onde muitos comandantes da Al-Qaeda estiveram detidos.

Em 2010, emergiu como líder da Al-Qaeda no Iraque, um dos grupos que se fundiram com o Estado Islâmico, e ganhou destaque durante a tentativa de fusão com a Frente al-Nusra, na Síria. De acordo com vários relatos, Baghdadi é um estratega bastante organizado e é implacável no campo de batalha

Em abril deste ano, o Estado Islâmico divulgou um vídeo de um homem dizendo ser Baghdadi, confirmando que ainda estava à frente do Estado Islâmico e que os ataque iriam continuar. Antes disso, a última vez que ele tinha sido visto publicamente tinha sido em 2014, quando proclamou, de Mossul, a criação de um "califado" em partes iguais da Síria e do Iraque. E a 16 de setembro, foi divulgada uma mensagem de voz de 30 minutos na qual Baghdadi dizia que os EUA e o seus representantes tinham sido derrotados no Iraque e no Afeganistão e que agora tinham sido "arrastados" para o Mali e Nigéria.

(notícia atualizada às 13:20 com a confirmação de Donald Trump)

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