Líder de Hong Kong vai a Pequim no 70.º aniversário da República Popular da China

No mesmo dia, estão previstos novos protestos nas ruas de Hong Kong, onde as manifestações têm palco desde junho.

A chefe do Executivo de Hong Kong desloca-se a Pequim na segunda-feira para participar, no dia seguinte, nas comemorações do 70.º aniversário da República Popular da China, dia em que se prevê mais uma grande manifestação pró-democracia no território.

Lam "lidera uma delegação de mais de 240 membros de vários setores da comunidade" na viagem à capital chinesa "para participar das atividades de celebração" do evento, apontou em comunicado o Governo de Hong Kong. De acordo com a mesma nota, a líder do executivo regressa a Hong Kong na terça-feira à noite, estando a cidade ao comando do secretário da administração até ao regresso de Lam.

A polícia de Hong Kong proibiu uma grande manifestação pró-democracia convocada para o Dia Nacional da China (1 de outubro). "Estamos convencidos de que a decisão de proibir esta manifestação foi tomada pelo Governo de Carrie Lam e por Pequim, seguindo a estratégia de silenciar os protestos nas ruas de Hong Kong antes e durante o Dia Nacional da China", acusou Bonnie Leung, vice-coordenadora da Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH), que representa pelo menos 15 partidos e organizações não-governamentais.

Segundo uma estimativa da própria associação, a FCDH foi responsável pelas manifestações que levaram à rua um milhão de pessoas a 9 de junho, dois milhões a 16 de junho e 1,7 milhões a 18 de agosto, sendo que esta última havia também sido proibida pela polícia.

O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.

Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".

Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

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