#KuToo. Mulheres japonesas lançam petição contra saltos altos

Ativistas pedem que governo proíba empregadores de forçar as funcionárias do sexo feminino a usar calçado de salto alto.

Um grupo de mulheres japonesas enviou uma petição ao governo para protestar contra o que dizem ser uma exigência para as funcionárias usarem saltos altos no trabalho. A campanha KuToo - um jogo de palavras do kutsu japonês, que significa sapatos e kutsuu, que significa dor - foi lançada pela atriz e escritora freelancer Yumi Ishikawa e rapidamente ganhou apoio online.

Os ativistas envolvidos nesta campanha argumentam que o uso de salto alto foi considerado quase obrigatório quando as mulheres estão à procura de emprego em muitas empresas japonesas.

"Enviamos uma petição pedindo a introdução de leis proibindo os empregadores de forçar as mulheres a usar saltos como discriminação sexual ou assédio", disse Yumi Ishikawa aos jornalistas após se ter reunido com funcionários do Ministério do Trabalho. A atriz revelou que os responsáveis governamentais se mostraram abertos à petição. "É um primeiro passo", acrescentou.

Esta luta ressalta do que os especialista dizem ser um problema profundo de misoginia no Japão. O que ficou bem expresso quando, no ano passado, um parlamentar do partido do governo no Japão disse que as mulheres deveriam ter vários filhos e que as mulheres que preferiam ficar solteiras se tornariam um fardo para o estado mais tarde.

Quando lançou um tweet sobre o uso do salto alto, Yumi Ishikawa percebeu que se tornou viral, rapidamente pelo que decidiu avançar com a petição cujo nome lembra o movimento global anti-assédio sexual #MeToo: "Quando percebi que muitas pessoas enfrentam o mesmo problema, decidi lançar a campanha".

O problema, como lhe chama, também se tem feito sentir no Reino Unido, onde uma petição similar foi assinada por mais de 150 mil pessoas. Aqui, Nicola Thorp foi mandada para casa do trabalho por usar sapatos rasos. Esta trabalhadora da consultora PwC nem chegou a assumir o lugar de rececionista temporária, em maio de 2016. O motivo: recusar-se a usar saltos com 2 a 4 centímetros de altura.

O caso provocou uma investigação sobre códigos de vestuário no local de trabalho por um comité de deputados, que encontrou outros casos similares no Reino Unido. Várias mulheres eram obrigadas a usar saltos alto, mesmo para trabalhos em que era necessário subir escadas, carregar bagagens pesadas e comida ou andar longas distâncias. No entanto, o governo britânico recusou-se a mudar a lei.

Em 2015, o diretor do festival de Cannes desculpou-se pelo facto das mulheres não terem acesso ao tapete vermelho por não usarem salto alto. Cannes manteve o código de vestimenta, apesar dp protesto da atriz Julia Roberts, que foi descalça no ano seguinte.

Em 2017, a província canadiana da Columbia Britânica proibiu as empresas de obrigarem as funcionárias a usar saltos altos, alegando que a prática era perigosa e discriminatória. No início deste ano, a Norwegian Air foi amplamente criticada por exigir que tripulantes de cabine entregassem uma recomendação médica se quisessem usar sapatos baixos. Ingrid Hodnebo, porta-voz das mulheres do Partido da Esquerda Socialista do país, acusou a companhia de estar presa no universo dos Mad Men dos anos 50 e 60".

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